Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 05/07/2020
Por volta dos anos 40, o Brasil iniciou o processo de transição demográfica, com aumento da expectativa de vida e diminuição da taxa de mortalidade - tal fenômeno ocorreu, sobretudo, pelas melhorias sanitárias e investimentos na saúde. Ainda hoje, para que continue havendo melhores condições de vida, o Brasil dispõe de uma rede de saúde pública. No entanto, é notório que esse sistema público está deficiente, principalmente pela falta de leitos e o modelo de educação sanitária.
Primeiramente, a indisponibilidade de acomodações na rede pública de saúde prejudica a sua funcionalidade. A partir da Constituição Federal de 1988, o conceito de saúde foi alterado, ela passou a ser considerada dever do Estado para seus cidadãos, sendo posteriormente implementado o Sistema Único de Saúde – SUS. Todavia, nem todos os cidadãos conseguem ser contemplados amplamente desse direito, pois há uma escassez de leitos efetivos para internações. Corrobora a sentença, o caso do Hospital Universitário Antônio Pedro, o qual, em 2018, cessou o serviço de internações temporariamente, por não haver locais para acomodar os enfermos. Logo, é imperioso que a Governo Federal possa garantir acesso aos cidadãos, com ampliação de leitos, para que todos possam gozar de uma saúde pública efetiva.
Ademais, a forma de realizar a educação sanitária prejudica a saúde pública no país. Esse modo de ensinar saúde para os cidadãos faz parte de uma das políticas do SUS. Ela foi fortemente influenciada, nos anos 2000, por Paulo Freire, o qual evidenciou a necessidade de se construir conhecimento em conjunto com a população, são somente torná-los educandos passivos – foi proposta uma educação sanitária popular. Entretanto, essa nova forma não foi implementada efetivamente, fazendo com que haja uma baixa conscientização sobre cuidados com a saúde. Nota-se, pois, que enquanto não tornar a sociedade ativa na construção de conhecimentos básicos de saúde, haverá maior incidência de doenças, sobrecarregando o sistema público, o qual já possui poucos leitos.
Medidas, portanto, para minimizar o impacto da carência de leitos e do modelo de educação sanitária na saúde pública, são necessárias. Assim, hospitais particulares devem ceder mais leitos ao SUS, havendo disposição de acomodações exclusivas, com baixos preços – com a finalidade de suprir a insuficiência de leitos e garantir acesso a saúde por todos. Além disso, o Governo Federal, por meio do Ministério da saúde, necessita implementar a educação sanitária popular, com treinamento dos profissionais da saúde pública. Os funcionários passarão por cursos, com o afã de capacitá-los para a realização desse modelo de educação e diminuir o número de pessoas doentes. Com isso, o Brasil continuará desfrutando dos benefícios da saúde, como no início da transição demográfica.