Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 20/08/2020
Embora a “Constituição de 1988” assegure aos brasileiros o acesso pleno à saúde, muitas pessoas não são contempladas por esse direito, pela precariedade das estruturas e pela falta de profissionais nas regiões menos urbanizadas. Dessa forma, mesmo que o país apresente um dos maiores sistemas de saúde do mundo, o SUS, não é capaz de contemplar toda população.
Primeiramente, o investimento é imprescindível para que a saúde pública tenha a qualidade necessária para atender a demanda da população. A exemplo disso, vemos países, como a Alemanha e a França, investirem quase dez por cento do Produto Interno Bruto (PIB) nessa área, considerada essencial, visto que todas as pessoas acabam por necessitar de atendimento médico durante a vida. Em contra partida, o Brasil destina um pouco mais de cinco por cento do “PIB” para a saúde, de acordo com dados do “Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas” (IBGE), contribuindo para o sucateamento das instalações e para a ineficiência do SUS em atender à população integralmente.
Paralelamente a isso, a falta de profissionais longe dos conglomerados urbanos agrava a problemática, a considerar que muitos médicos, enfermeiros e técnicos preferem atuar em regiões metropolitanas e deixam o interior do país desamparado. Nessa perspectiva, não falta mão de obra, pois segundo o “Conselho Federal de Medicina”, no período de 1970 a 2010, o aumento de habilitações concedidas a bacharéis foi superior a 500%, enquanto que a população teve uma oscilação relativamente menor, chegando a 100%. Esse fato foi abordado na série “Sob Pressão”, em que foi denunciada, em diversos episódios, a escassa atuação médica em periferias e no interior do país, comprometendo o acesso ilimitado a esse serviço essencial à vida.
Em síntese, a saúde pública no Brasil é necessária para corrigir a desigualdade social e assegurar os direitos constitucionais, mas precisa ser melhor administrada e receber mais recursos, além de implementar a descentralização do sistema. Portanto, cabe ao governo aumentar o orçamento do SUS, por meio de um projeto de lei enviado ao congresso, para que os investimentos sejam feitos de forma equivalente em todo território nacional, a fim de garantir equipamentos, estruturas e a acessibilidade aos pacientes. Em apoio às ações do Estado, as universidades podem oferecer aos estudantes da saúde palestras que motivem os formandos a atuarem não somente no perímetro urbano, mas também em zonas rurais, para que todas as famílias tenham acesso à saúde. Com essas ações, espera-se que não faltem trabalhadores nas casas de saúde, que estas tenham estrutura e que a Constituição seja plenamente respeitada.