Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 08/08/2020
De acordo com a Constituição de 1988, é dever do Estado assegurar o direito à saúde para os cidadãos. No entanto, na atualidade, o acesso aos cuidados médicos não são disponibilizados à toda sociedade, haja visto que há dificuldades em exercer a sua atuação nas áreas periféricas e do interior dos estados. Continuamente, seus principais problemas se localizam na falta de estrutura adequada em hospitais públicos, pois dificulta a ação de profissionais especializados, consequentemente, aumenta a lista de espera por atendimento, prejudicando, assim, a saúde da população.
Em primeira análise, é interessante observar a importância da manutenção do Sistema Único de Saúde (SUS) para gerir equipamentos e condições dignas de trabalho. De maneira análoga com a tese de doutorado da médica Monique Bouget, que analisou os fatores relacionados ao desligamentos de médicos em locais afastados do centro, concluiu que as condições inadequadas de trabalho é uma das causas desse acontecimento. Nesse contexto, os déficits estruturais nas cidades do interior e nas periferias de metrópoles, impossibilita o trabalho dos especialistas, favorecendo seu afastamento, pois não há condições apropriadas para a sua respectiva atuação. Dessa maneira, profissionais especializados se tornam raros nos hospitais públicos, debilitando o acesso à saúde de qualidade nessas regiões.
Outrossim, a falta de profissionais, causada pela problemática mencionado, gera demora nos atendimentos, ferindo a dignidade do paciente. Em analogia com os abusos ocorridos em 1904, nas periferias do Rio de Janeiro, quando ocorreu a desumana aplicação das vacinas obrigatórias, originando o movimento conhecido como, a Revolta da Vacina. Em continuidade, atualmente o desumano descaso com a população periférica ainda é perceptível, pois as listas de espera por atendimento nos hospitais públicos agride a Constituição - ao não possibilitar o acesso à saúde - e desrespeita os pacientes. Dessa forma, obriga-os a conviver com sua condição por tempo indeterminado, na espera por atendimento. Nesse sentido, é obrigação do Estado, perante as problemáticas levantadas, agir em benefício às regiões necessárias.
Portanto, é perceptível a necessidade de abordagens governamentais operando na atual conjuntura da saúde pública no Brasil. Assim, cabe ao Ministério da Saúde realizar parcerias público-privadas para atrair médicos nas periferias. Por meio de investimentos na estrutura dos hospitais, com novos equipamentos especializados nas regiões mais distantes do centro. Ademais, é importante oferecer remuneração adequada aos profissionais, para incentivá-los a se deslocar para esses lugares. A fim de melhorar o acesso à saúde dessa população, aplicando na prática seus direitos fundamentais.