Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 08/09/2020

O poeta Carlos Drummond de Andrade, no poema “No Meio do Caminho”, narra o momento inesquecível do eu lírico ao lidar com uma pedra, a qual impedia sua jornada. Fora do contexto drummondiano, a saúde pública no Brasil também se encontra  diante de empecilhos. Essa problemática persiste devido à falta de verbas destinados aos programas eficazes concernentes à saúde e devido ao desvio de verbas, que seriam destinados aos hospitais.

Em primeiro lugar, é importante frisar que a escassez de verbas para sistemas de saúde coletiva configura-se como obstáculo para garantia do exercício da cidadania e da própria vida. Acerca disso, o escritor José Saramago, na obra “Ensaio sobre a Cegueira”, descreve uma sociedade que ao sofrer com uma epidemia é lançada em um sanatório abandonado pelo governo e condenada a viver com poucos recursos. Paralelo a esse cenário fictício, o povo brasileiro encontra-se em situação semelhante, uma vez que o Sistema Único de Saúde  (SUS), tal qual o cárcere saramaguiano, não atende às necessidades dos pacientes e os relega dos seus direitos fundamentais, como a própria vida e a dignidade humana. Essa situação é inadmissível, visto que a saúde é indispensável para o exercício da cidadania.

Em segundo lugar, é imperioso destacar que a corrupção se estabelece como agravante da situação caótica do sistema de saúde pública brasiliense. A respeito disso, o sociólogo Louis Althusser, em sua tese marxista, disserta que os recursos estatais são utilizados pela elite em benefício próprio. Nesse sentido, percebe-se que a realidade nacional está sujeita à corrupção, posto que frequentes escândalos que envolvem desvios monetários, assolam o sistema de saúde, como, por exemplo, o “Covidão”, operação realizada pela Polícia Federal, a qual já declarou cerca de 1 bilhão de reais roubados da população brasileira por políticos corruptos. Isso constitui-se um problema, posto que tal recurso serviria para o desenvolvimento de hospitais públicos.

Diante dos fatos supracitados, percebe-se que medidas interventivas são necessárias. Para solucionar tal impasse é preciso que o Ministério Público Federal direcione o dinheiro recuperado dos desvios para os hospitais e programas de saúde coletivos, por meio de fundos privados, para que não encareça o sistema público de saúde, a fim de alcançar os mais necessitados dos serviços de atendimento clínico. Além disso, é necessário que as investigações feitas pela Polícia Federal continuem no processo de apuração dos destinos do capital federal, para assegurar que tais recursos não serão desviados para o benefício de políticos. Assim, o Brasil estará apto para remover a pedra que impede o sistema nacional de saúde de se desenvolver.