Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 24/08/2020

A Lei do SUS, número 8.080, apresenta os três princípios da saúde pública: universalidade, integralidade e equidade. Entretanto, na realidade, esses conceitos não são colocados em prática, configurando um grave problema na defesa do sistema de saúde pública, causado, sobretudo, pela desumanização no atendimento médico e pela falta de profissionais. Isto posto, necessita-se de ações governamentais que busquem combater essas causas e, por conseguinte, trazer boa qualidade ao sistema de medicina.

Em uma primeira análise, é importante destacar que o atendimento médico possui lacunas que fomentam o problema. De acordo com o Juramento de Hipócrates, promessa solene efetuada pelos doutores em suas formaturas, a prioridade dos profissionais é o bem estar de seus pacientes e a proteção à vida. Todavia, no cotidiano brasileiro, é possível ver que essa promessa é descumprida, pois no atendimento médico encontram-se problemas que contradizem, além do juramento, os princípios do SUS. Em suma, essas adversidades são caracterizadas por um atendimento com excessiva pressa e e com baixo engajamento entre médico e paciente, o que, consequentemente, contribui contra a defesa do sistema de saúde.

Outrossim, a falta de médicos também colabora para a problemática. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a razão de profissionais disponíveis para a região centro-oeste do Brasil é de aproximadamente quatro para mil habitantes, enquanto para a região nordeste esse número não ultrapassa de um para mil habitantes. Dessarte, percebe-se que, dessa maneira, há profissionais aglomerados em certo parte do país, ao mesmo tempo em que outra região necessita de mais doutores, isso é resultado da concentração das estruturas médicas em centros urbanos, deixando de lado as áreas rurais e de pouco desenvolvimento econômico. Logo, essa desarmonia é adversa ao conceito de equidade do SUS, uma vez que não aplica as oportunidades de médicos de forma justa para a população.

Em síntese, medidas são necessárias contra as causas dessa problemática. Portanto, cabe ao Ministério da Educação reformular os currículos acadêmicos de medicina, por meio do aumento de carga horária das matérias que envolvam o engajamento entre o doutor e o paciente, como a ética profissional, a fim de humanizar o atendimento médico. Ademais, é mister que o Governo reorganize a distribuição de doutores pelo país, por meio de projetos que levem profissionais recém formados as áreas que necessitam de mais atendimento. Desse modo, esses desafios não serão mais questões contra a defesa do SUS.