Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 24/08/2020

Em 1904, nas periferias do Rio de Janeiro, ocorreu o movimento urbano conhecido como A revolta da Vacina, cujo o qual, manifestava a indignação popular frente à execução violenta e abusiva, na forma de aplicar as vacinas. Hodiernamente, as áreas periféricas ainda são desfavorecidas de acesso à saùde pública de qualidade. Dessa forma, apresentam problemas como: Falta de estrutura adequada em hospitais públicos que consequentemente, aumenta a lista de espera por atendimento, prejudicando o alcance à saúde da população.

Em primeira análise, é interessante observar a importância da manutenção do Sistema Único de Saúde (SUS), para gerir equipamentos e condições dignas de trabalho. De maneira análoga com a tese de doutorado da médica Monique Bouget, que analisou os fatores relacionados ao desligamentos de médicos em locais afastados do centro, sendo as condições inadequadas de trabalho uma das causas desse acontecimento. Nesse contexto, os déficits estruturais nas periferias de metrópoles impossibilitam o trabalho dos especialistas, favorecendo seu afastamento, pois não há condições apropriadas para a sua respectiva atuação. Dessa maneira, profissionais especializados se tornam raros nos hospitais públicos, debilitando o alcance à saúde de qualidade nessas regiões.

Outrossim, a falta de profissionais, causada pela problemática mencionado, gera demora nos atendimentos, desrespeitando o paciente. De acordo com a Constituição de 1988, é dever do Estado assegurar o direito à saúde para os cidadãos, assim como a dignidade. Em continuidade, o descaso com a população periférica é perceptível, pois as listas de espera por atendimento nos hospitais públicos obriga-os a permanecer com a saúde debilitada até surgirem médicos disponíveis. Destarte, a Constituição é ferida, ao não possibilitar o acesso à saúde e desconhecendo o paciente como digno de respeito. Nesse sentido, é obrigação do Estado, perante as problemáticas levantadas, agir em benefício às regiões necessárias.

Portanto, é perceptível a necessidade de abordagens governamentais em ação na atual conjuntura da saúde pública no Brasil. Assim, cabe ao Ministério da Saúde realizar parcerias público-privadas para atrair médicos nas periferias, por meio de investimentos na estrutura dos hospitais, com novos equipamentos especializados nas regiões mais distantes do centro. Ademais, é importante oferecer remuneração adequada aos profissionais, para incentivá-los a se deslocar para esses lugares, a fim de melhorar o acesso à saúde dessa população, aplicando na prática seus direitos fundamentais.