Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 04/09/2020
Na obra pré-modernista “Triste fim de Poliquarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o major Quaresma, grande admirador do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, fora da literatura, percebe-se que tal horizonte literário não mimetiza a realidade atual, visto que o tecido social brasileiro ainda enfrenta sérios problemas, dentre eles a precariedade da saúde pública. Esse âmbito de iniquidade é fruto tanto do desleixo político do Estado quanto do silenciamento pessoal.
Deve-se analisar, precipuamente, que o desinteresse do Estado é um fator determinante para a problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse viés, evidencia-se a falta de políticas públicas suficientemente efetivas para melhorar as estruturas da saúde comunitária no Brasil. Diante desse diapasão, sabe-se que esse sentido é comprovado, pelo papel passivo que o ministério da saúde exerce na administração do país. Nessa égide, é visível que tal órgão intitulado para promover a potencialização do acesso público a saúde brasileira, ignora ações que poderiam realmente friccionar a estabilidade social nos centros hospitalares. Desse modo, o governo atua como agente perpetuador na estagnação da saúde. Logo, é substancial a dissolução desse panorama infringente.
É vital salutar em segundo plano, que a degradação da saúde pública encontra terreno fértil no silenciamento da população. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição dizendo que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob essa óptica, para que haja uma melhora nos centros de atendimentos básicos e hospitalares, é necessário discutir sobre. No entanto, verifica-se certa lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, pois a população se mantém passiva e calada diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento do IBGE, em 2015, 38% dos brasileiros não conseguiram atendimentos médicos. Nessa lógica, trazer à parte essa patologia e debatê-la, amplamente, aumentaria a chance de atuação nela.
Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, depreende-se o Poder Público, como instância máxima da administração executiva, em consonância com a secretaria especial do Ministério da Saúde, por meio de ações: mais investimentos nos centros hospitalares, programas de inserção profissional na área da saúde nos bairros regionais, como consultas a domicílios, medicações grátis, exames e atendimentos especiais, para que, de tal forma, a saúde possa alcançar todos os indivíduos brasileiros. Somente, assim, os ideais do major Quaresma poderão ser evidenciados na nação brasileira.