Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 06/09/2020

Saúde, em seu significado, vai além da ausência de doenças, ela se refere ao estado de completo bem-estar físico, mental e social - definida pela Constituição da Organização Mundial da Saúde. Nesse contexto, é dever do Estado gerir a acessibilidade e a qualidade da saúde pública no Brasil. No entanto, a efetivação do conceito de saúde nas áreas periféricas apresenta diversas problemáticas, evidenciada pela precária estrutura dos hospitais públicos, o qual gera aumento na lista de espera por atendimento. Logo, faz-se imperioso agir em combate as consequências prejudiciais à essas comunidades.

Em primeira análise, é interessante observar que o déficit estrutural do Sistema Único de Saúde (SUS), proporciona um impacto direto no trabalho qualificado dos profissionais. De maneira análoga, com a tese de doutorado da médica Monique Bouget, que analisou os fatores relacionados ao desligamentos de médicos em locais afastados do centro, sendo as condições inadequadas de trabalho uma das causas desse acontecimento. A partir dessa análise, os défices estruturais dos hospitais, nas periferias de metrópoles, impossibilitam o trabalho dos especialistas, favorecendo seu afastamento, visto que não há condições apropriadas para a sua respectiva atuação. Dessa forma, profissionais especializados se tornam raros nos hospitais públicos, debilitando o alcance à saúde de qualidade nessas regiões.

Outrossim, a falta de profissionais, causada pela problemática mencionada, ocasiona em demora nos atendimentos, deturpando o bem estar do paciente. Em consonância com a Constituição de 1988, é dever do Estado assegurar o direito à saúde para os cidadãos. Acerca disso, as listas de espera por atendimento representa o descaso com a população periférica, infringindo seus direitos fundamentais, ao obrigá-los a permanecer com saúde debilitada até surgirem médicos disponíveis. Desse modo, torna-se claro a obrigação do Estado em aprimorar a disponibilização da saúde pública.

Portanto, é perceptível a necessidade de abordagens governamentais na área da saúde. Assim, cabe ao Ministério da Saúde realizar parcerias público-privadas para atrair médicos nas periferias, por meio de investimentos na estrutura dos hospitais, com novos equipamentos especializados nas regiões mais distantes do centro. Ademais, é importante oferecer remuneração adequada aos profissionais, para incentivá-los a se deslocar para esses lugares. Tem-se como finalidade dessas ações, melhorar o usufruto do direito à saúde, assegurando o bem estar físico, moral e social.