Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 20/11/2020

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado a rolar uma grande pedra até o topo de uma montanha, porém, toda vez que estava quase alcançando o objetivo, a rocha rolava morro baixo por meio de uma força irresistível. Fora da ficção, hodiernamente, a saúde pública no Brasil pode ser comparada à rocha de Sísifo, pois, quando há uma tentativa de melhorá-la, ela sofre a ação de força contrárias, como a negligência governamental e, por consequência, a falta de infraestrutura. Por isso, torna-se necessário o debate sobre a saúde pública no Brasil.

Primeiramente, é importante destacar o descompromisso estatal acerca da saúde no país. Segundo o conceito de “Instituição Zumbi”, desenvolvido pelo Sociólogo Zygmunt Bauman, algumas entidades perdem a função social, mas mantêm a forma. Nesse sentido, o poder público brasileiro se enquadra na teoria de Bauman, haja vista que mesmo falhando no fornecimento dos direitos constitucionais, como a saúde, à população, é considerado o principal defensor social, mantendo o molde. Dessa forma, objetivo do estado, proposto pelo filósofo John Locke, de garantir os direitos naturais aos indivíduos não é cumprido.

Por conseguinte, a infraestrutura clínica é precarizada. De acordo com pesquisa, realizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), no ano de 2018, 90% dos brasileiros consideram a saúde pública péssima, ruim ou regular. Isso acontece porque os cidadãos ficam insatisfeitos com os suportes clínicos oferecidos, visto que o baixo investimento governamental nesse campo gera problemas estruturais, falta de profissionais e leitos hospitalares, por exemplo, dificultando o acesso ao bem-estar. Desse modo, a população brasileira carece de garantia quanto aos serviços médicos.

Infere-se, portanto, que providências devem ser tomadas para amenizar o quadro atual. É mister que o Governo Federal invista, por meio de verbas arrecadados para a saúde, nas infraestruturas hospitalares. Isso deve ser feito em parceria com o CFM, que irá destinar os investimentos às principais necessidades em relação esse âmbito no Estado, com intuito de solucionar os problemas estruturais da saúde comunitária brasileira e, assim, garantir o bem-estar às pessoas. Dessa maneira, as forças contrárias que impedem a melhoria da saúde pública no Brasil poderão ser combatidas.