Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 06/10/2020

A Constituição Federal de 1988, prevê a saúde como direito de todos e dever do Estado. No entanto, na prática, não é o que acontece. Segundo o site de informações G1, o Brasil, apesar da existência do SUS, é um dos países com pior distribuição de cuidados médicos do mundo. Essa situação nefasta ocorre não somente pela dificuldade da chegada de médicos aos lugares distantes dos grandes centros devida à elitização da profissão, como também pelos altos desvios de dinheiro do setor da saúde.

Em primeira análise, é importante salientar as dificuldades que as populações afastadas dos grandes centros urbanos tem em acessar o sistema de saúde público, visto que muitas regiões apesar de terem pequenas instalações básicas, ainda sofrem com a ausência de médicos. Em 2018, o IBGE verificou que mais de 64% do total de CRM’s atuantes no Brasil se encontram nos centros Sul e Sudeste, provando que mesmo a implantação de programas para incentivar a ida destes para lugares mais distantes, como o “Mais Médicos” não apresentaram resultados satisfatórios. Em consonância com o médico e escritor Drauzio Varella, essa concentração desigual de locais de atuação refletem nas consequências da elitização da profissão, e a classe que a domina, acabando por dificultar ainda mais o atendimento a aqueles que precisam.  De tal forma, é possível observar como a dificuldade da chegada de médicos aos locais mais afastados, refletem um perfil de segregação socioespacial implantado na sociedade, algo que precisa ser mudado.

Paralelo a isso, tem-se os constantes desvios da saúde que estampam as capas dos noticiários diversas vezes ao ano, com pouco sendo feito para reverter e combater tais situações. Cenários como esses, são inaceitáveis para um país que não apenas assume em sua constituição tal direito para todos, mas também lidera o terceiro maior programa de saúde pública no mundo com capacidade de ser referência mundial, como ocorreu no tratamento de HIV, no qual o enfoque correto de verba e profissionais, rendeu ao Brasil o recebimento de honras da OMS pelo seu combate. Dessa forma, é notório apontar que ao negligenciar o desvio desses recursos o Estado não está prejudicando somente sua população, mas o desenvolvimento inteiro da vista do país como uma nação ao todo.

Depreende-se, portanto, a necessidade do Governo em ampliar o atendimento em áreas afastadas dos centros urbanos, por intermédio de uma renovação do programa mais médicos, com parcerias com instituições público-privadas que garantam a residência médica em hospitais públicos do país. Além disso, é preciso que a câmera em conjunto com a Polícia Federal por meio de uma sindicância passe a melhor verificar os recursos públicos enviados a saúde. Espera-se, com o conjunto dessas ações, melhorar o alcance e atendimento da saúde, e assim, a qualidade de vida da população como um todo.