Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 13/10/2020
O filme “Patch Adams, o amor é contagioso” narra a trajetória de um estudante de medicina que procurou desenvolver maior proximidade com seus pacientes,sendo muitos deles tratados da melhor maneira, não só devido aos cuidados hospitalares, mas também pela empatia e responsabilidade do médico. Todavia, é visto uma realidade muito distante ao comparar com o Brasil, sendo evidente o descaso do governo e a precária infraestrutura, levando ao debate sobre a saúde pública no Brasil.
Primeiramente, é importante destacar a longa trajetória até que a saúde pública se tornasse direito de todos e dever do Estado, como consta a Constituição de 1988. Com a chegada da Família Real em 1808, a situação começou a melhorar, mas ainda era restrita a elite branca. Com a Revolta da Vacina em 1904, é mostrado a falta de informação da população e o descaso por parte do Estado em alertar e educar a sociedade. Somente em 1934, com a constituição de Vargas, as pessoas tiveram mais acesso a saúde.
Outrossim, é mister ressaltar os problemas de infraestrutura do Sistema Único de Saúde. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que em 2018, apenas apenas 3,6% do orçamento do governo foi destinado a saúde, estando esse número bem abaixo da média mundial, que é 11,7%. Ademais, conforme o Conselho Federal de Medicina (CFM), existe somente um médico para cada 470 pessoas, logo, explica-se outro problema: a fila de espera. De acordo com o Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS), 39,8% de entrevistados aderiram a um plano de saúde por não poderem esperar o tempo de espera do SUS. O contraditório é que de acordo com a lista do Banco Mundial, o Brasil ocupava a 9° posição no Produto Interno Bruto (PIB), mostrando que o problema não é financeiro, mas evidencia que a precaridade do SUS está diretamente ligada a negligência do governo.
Fica evidente, portanto, que há muitas mazelas para serem sanadas no que diz respeito à saúde pública no Brasil. O poder público deve por meio de projetos com farmácias e faculdades de medicina disponibilizar remédios e voluntários, no intuito de atender a população de cada município e amenizar problemas do cotidiano, visto que a solução não está somente em sanar doenças, mas preveni-las antes que cheguem, como cita Drauzio Varella. Ademais, a criação de aplicativos e sites de atendimento online feito por institutos de tecnologia, diminuindo a fila de espera e propagando hábitos de vida mais saudáveis, sendo a mídia uma grande percursora do conhecimento e da informação, e como cita os filósofos gregos, o homem tem a capacidade de aprender por imitação. Desse modo, como visto no filme Patch Adams, o direito a saúde não será algo tão distante do indivíduo.