Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 15/10/2020

A Constituição Federal Brasileira de 1988 define como obrigatoriedade do Estado a garantia da plena saúde a todos os cidadão brasileiros, ação essa que cabe ao Sistema Único de Saúde (SUS). Contudo, ao se observar na mídia a exposição frequente de hospitais lotados, precária infraestrutura e atendimento, é possível afirmar que os três princípios básicos do SUS, o da universalização, equidade e integralidade não são devidamente aplicados. Sendo assim, pode-se salientar que a negligência estatal frente sua obrigação, acompanhada da administração desigual dos escassos recursos destinados à saúde, contribuem na perpetuação do problema.

Primeiramente, deve-se ressaltar que a atual postura econômica federal é um entrave para a solução da problemática. Portanto, a atual displicência governamental em promover o bem-estar social é reflexo da política econômica brasileira neoliberal, importada dos Estados unidos e implantada durante o Governo Collor, que visa o enfraquecimento do sistema público e o fortalecimento da iniciativa privada. Contudo, é inviável a aplicação desse modelo, visto que o cenário financeiro brasileiro se distancia significativamente do Hemisfério Norte, já que, segundo o IBGE em 2018, metade dos trabalhadores brasileiros recebem menos de um salário mínimo mensal, tornando-se incapazes de custear a saúde privada.

Além disso, a má distribuição das escassas verbas da saúde agrava a questão. Devido ao processo histórico de desenvolvimento urbano concentrado no sudeste, a mesma região abriga o maior número de universidades de medicina e arrecadação tributária. Dessa forma, munícipios como São Paulo, além de serem capazes de destinar grandes montantes à saúde pública, apresentam o maior número de profissionais da área. Dessa maneira, futuros médicos, ao se graduarem, permanecerão nas grandes cidades, intensificando as desigualdades regionais em atendimento médico.

Infere-se, portanto, que atual administração de verbas, impossibilita a promoção de uma saúde igualitária. Logo, a mídia deve intensificar seu papel em denunciar a atual situação da saúde pública, por meio da realização de debates em rede aberta, com a presença de convidados do âmbito da saúde e figuras sociais famosas, que deverão discutir e expor a atual postura do Estado brasileiro diante a garantia do direito a saúde universal, a fim de instigar revolta na população, para que exijam do atual governo uma melhor administração e concessão de verbas a todas as regiões do país. Só assim, será possível encurtar as discrepâncias dos sistemas de saúde de ricos e pobres, nordestinos e sudestinos.