Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 23/11/2020
O poema “No meio do caminho”, escrito por Carlos Drummond, retrata um problema contínuo que impede o pleno prosseguimento do eu-lírico. Analogamente, longe da literatura , a ausência de uma saúde pública efetiva denigre o bem-estar de diversos indivíduos ao redor do mundo. Dessa forma, em 1988, o governo brasileiro criou o Sistema Único de Saúde, indispensável para garantia da vitalidade civil. Entretanto, seja pelo escasso investimento em manutenção ou pela pobreza na capacitação de profissionais, o projeto de atendimento gratuito cunha-se incipiente e, por isso, carece de cuidados.
Previamente, é relevante salientar os aumentos anuais de cortes financeiros em recursos homeostáticos. À medida em que o Movimento de Reforma Sanitária instituiu-se, durante o século XX, a garantia de atendimentos hospitalares e tratamentos químicos públicos vigorou-se no Brasil. No entanto, a pobreza de verbas destinadas à preservação e cumprimento de tantas atividades dificulta a qualidade das instituições estatais. Prova disso são os dados da corporação MV, que elucida uma diminuição rentária de 50% nos investimentos governamentais em saúde desde 1990 até os dias atuais. Sob essa ótica, a série “Sob pressão”, produzida pela Globoplay, retrata bem os resultados da ausência de verbas, ao passo que encena hospitais lotados e sem equipamentos. Desse modo, fortificar o contingente de verbas destinadas ao Sistema Único de Saúde é imperioso.
Ademais, a elitização das carreiras biomédicas atrapalham a formação desses profissionais tão importantes. Conforme os cursos de medicina e enfermagem, por exemplo, possuem escassas vagas para ingresso nas universidades gratuitas, poucos são os cidadãos que conseguem matricular-se. Dessa maneira, o programa “Mais Médicos, por favor”, criado no governo Lula, buscou suprir temporariamente esse déficit ao importar médicos de Cuba. Porém, após anos de implementação, o projeto foi extinguido sem nenhuma medida de fortalecimento às faculdades nacionais. De acordo com o educador Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”. Logo, fortalecer o ensino nacional é fundamental para a saúde pública do país.
Portanto, ações são essenciais no objetivo de melhorar o Sistema Único de Saúde brasileiro. Dessa maneira, a promoção de uma cota federal mínima destinada à saúde estatal, por meio de uma ementa legislativa feita pelo Congresso Nacional, é mister a fim de garantir os repasses precisos para cada atividade hospitalar. Além disso, a abertura de mais vagas em cursos biomédicos, por meio de subsídios do Ministério da Educação e Cultura às universidades que ofertarem, é crucial no intuito de inserir mais capacitados atuantes. Para isso, parte dos recursos do Ministério da Saúde serviria como custeio também. Apenas assim a “Pedra no meio do caminho” da saúde nacional seria contornada.