Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 05/01/2021

Embora a Constituição Federal de 1988 assegure o acesso à saúde como direito de todos os cidadãos, existem gargalos que dificultam o cumprimento dessa garantia no país, principalmente no que se refere à qualidade de atendimento. Isso ocorre, entre outros fatores, em razão do subfinanciamento e da falta de gestão do sistema público de saúde que, nesse contexto, se mantém insuficiente diante da demanda populacional. Sendo assim, é preciso buscar soluções para esse descaso conjuntural.

Em primeira análise, a falta de recursos dificultam tal universalização e contribui para a má qualidade do serviço. Isso pois, em um país que - segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -  apresenta 75% da população que depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde, é evidente a necessidade de investimento na área. No entanto, o que se percebe são hospitais lotados, escassez de medicamentos e, sobretudo, a sobrecarga dos profissionais. Diante dessa exaustão física e mental, a falta humanização nos atendimentos é um dos piores efeitos, já que os ospacientes - em maioria debilitados e carecidos de cuidados especiais - deixam de serem tratados pelas suas necessidades específicas e são recebidos apenas como estatísticas. Essa situação, corresponde ao discurso da filósofa Hannah Arendt, na qual o homem contemporâneo passa a ser visto apenas como uma massa.

Somado a isso, a administração da saúde pública desconsidera a dinâmica populacional do país. Diante do envelhecimento da sociedade que, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, já apresenta mais de 26 milhões de idosos - faixa etária em que se predomina os problemas de saúde como as doenças crônicas -, nota-se que a falta de preocupação Estatal em prever e suprir essa demanda se mostra uma realidade, sobretudo na falta de profissionais especializados, haja vista que o país possui déficit de 28 mil geriatras, segundo o jornal Estadão. Tal situação, consoante ao filósofo Michel Foucault, configura-se uma indicação da ideia de Biopoder, pois a autoridade de controlar os problemas sociais é pouco aproveitada.

Diante do exposto, torna-se evidente as deficiências da saúde pública brasileira. E, para reverter tal cenário, é imperativo que o Ministério da Saúde direcione recursos suficientes para suprir as necessidades do Sistema Único de Saúde, mediante a construção de novos leitos hospitalares, fornecimento de medicamentos e, principalmente, o aumento quantitativo de profissionais, a fim garantir a sanidade física e mental trabalhadores trabalhadores e promover uma melhoria nos atendimentos. Ademais, cabe ao Ministério da Educação estimular uma formação de geriatras no país, oferecendo mais vagas de especialização na área, no inuito  de abastecer a demanda de envelhecimento da população. Logo, se praticará o Biopoder e, desse modo, efetivar a condição de cidadania no país.