Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 26/12/2020
A construção de um sistema público de saúde no Brasil se trata de um acontecimento extremamente recente na história do país, constituído aos moldes da Nova República, após o fim do período do regime militar, ou seja, encabeçado a partir de ideias amplamente democráticas. Anterior a esse momento, a questão da saúde brasileira é deixada à margem, onde o Estado não foi totalmente efetivo; apesar do grande avanço observado, mais de trinta anos depois do surgimento Sistema Único de Saúde (SUS), ainda é passível de observação amplos problemas no mesmo, como a precariedade no atendimento e fragilidade organizacional.
Para se levar em consideração a qualidade do atendimento oferecido pelo sistema nacional é preciso uma análise multifacetada deste, no qual, sendo constituído a partir de ideais democráticos, permanece excludente, já que não é suficientemente abrangente no território, deixando populações inteiras já desfavorecidas socialmente, como as da região Norte do Brasil e as periferias em zonas urbanas. Outro problema é a crescente política de cortes nas áreas da saúde, enfraquecendo ainda mais a qualidade do serviço oferecido aos brasileiros, sendo que investimentos financeiros significativos são altamente necessários a manutenção de estruturas modernas e funcionais.
A organização de um órgão público é o que, em linhas gerais, define sua eficácia em realizar seus deveres perante o povo, olhar a partir dessa lente é enxergar a fragilidade organizacional da Saúde Pública brasileira, onde se é observado há anos as frequentes trocas no cargo de Ministro da Saúde, levando à uma desestabilização interna do Sistema, portanto, impedindo a fluidez no funcionamento do mesmo, além do aumento de burocracias, afetando diretamente àqueles que são dependentes dos serviços oferecidos pelo poder público.
É imprescindível, por tanto, para que o SUS opere com a qualidade e eficiência previstas na Constituição de 1988 que haja uma reorganização administrativa e financeira do Sistema, onde o Governo Federal juntamente com o Ministério da Saúde definirão um orçamento para investimentos com a Saúde Pública, no qual seja suficiente para atender as necessidades básicas, levando mais hospitais com equipamentos e suprimentos de qualidade a zonas desfavorecidas no território brasileiro; além da tomada de decisões políticas mais firmes no Ministério, como na escolha de profissionais altamente qualificados para seu gerenciamento, garantindo uma maior estabilidade. Desse modo, havendo a promoção de um maior desenvolvimento social e econômico no país por meio da saúde.