Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 15/12/2020
O sociólogo Émile Durkheim definiu a sociedade como um organismo biológico cuja parte em disfunção ocasiona o colapso de todo o sistema. Sob tal ótica, a problemática saúde pública brasileira atual constitui um pilar defeituoso do corpo social e que poderá trazer caos a todo o país. Assim, torna-se fulcral a análise dos fatores que interferem nessa mazela.
A princípio, o tema em questão é fruto da falta de infraestrutura da rede de hospitais públicos. A Idade Média foi um período que se destacou pela baixa expectativa de vida dos indivíduos, em função das condições insalubres da época. Analogamente, no Brasil contemporâneo, o pequeno investimento governamental na saúde pública diminui a longevidade de quem depende dela para sobreviver, principalmente a população mais pobre. Isso ocorre porque, sem a infraestrutura adequada dos hospitais, como a higienização do local e a disponibilização de leitos suficientes, aumenta-se a exposição dos enfermos a perigosos agentes infecciosos, ocasionando a morte muitas vezes. Dessa forma, é notório que o Estado não cumpre seu dever de garantir o bem-estar populacional, como descrito por Thomas Hobbes, evidenciando a urgência de mudanças nesse quadro.
Outrossim, o impasse supracitado deriva, ainda, da enorme demanda pela saúde pública aliada à baixa oferta de médicos. De acordo com pesquisas do Conselho Federal de Medicina, há locais mais carentes onde a proporção é de um médico para cada 950 brasileiros aproximadamente. Isso se explica pelo sistema educacional deficitário nessas regiões, o qual não consegue fornecer o devido preparo, aos estudantes que pretendem cursar medicina, para entrar na faculdade e alcançar os seus sonhos. Consequentemente, com menos médicos, a fila de espera por atendimento eleva-se e muitos pacientes falecem sem ao menos terem sido atendidos.
Portanto, de modo a reverter o cenário da saúde pública brasileira, medidas exquíveis devem ser tomadas por Órgãos de autoridade. Primeiramente, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, destinar fundos para a melhoria dos grandes hospitais públicos, com a compra de equipamentos de última geração, construção de mais UTI’s e com a disponibilização de um ambiente salubre para o atendimento. Isso deve ser feito por meio de planos econômicos de desenvolvimento da saúde, a fim de que os brasileiros de baixa renda tenham mais qualidade de vida. Ademais, cabe ao Ministério da Educação atuar de forma mais incisiva em comunidades carentes, oferecendo materiais de estudo gratuitamente àqueles sem condições de adquiri-los, para que estes consigam o acesso à faculdade e a oferta de médicos cresça nesses locais.