Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 08/01/2021
A série “Sob Pressão” retrata a rotina cruel de médicos em um hospital público no subúrbio do Rio de Janeiro, um cenário afligido por desvios de verbas e escassez de recursos. Não obstante, o que parece ser regional se estende a nível nacional. Tal fato é causado pelo sucateamento do Sistema Único de Saúde, que decorre em um atendimento precário à população.
É inegável o descaso do Poder Público frente ao direcionamento integral de recursos à saúde pública. A exemplo, denúncias de casos de desvio de verba e hospitais públicos lotados pertencem a realidade brasileira, os dois fatos são causa e consequência, já que a falta de mecanismos sanitários gera um ambiente hospitalar precário, sem leitos, equipamentos, medicamentos e profissionais. Dessa forma, o sucateamento abre margem para a privatização das linhas da saúde, como hospitais, prontos-socorros e ambulâncias, por corporações que visam o meio como obtenção de lucro e não como direito básico do cidadão.
Por conseguinte, a falta de manutenção abarca um atendimento ineficiente. Nesse viés, o diagnóstico do médico sobre o paciente é comprometido, pois, assim como na série “Sob Pressão”, o profissional trabalha de maneira repetitiva, mecanizada, com expedientes que excedem 8 horas por dia e com insumos mínimos, afetando uma diagnose assertiva. Portanto, é exposta a vulnerabilidade dos brasileiros que dependem do atendimento popular, rompendo com a Constituição Federal de 1988, que assegura a saúde pública como direito do cidadão e dever do Estado.
Diante do contexto, é evidente a necessidade de uma resolução da problemática. Logo, cabe ao Poder Legislativo - responsável pela elaboração e fiscalização das leis - fiscalizar as verbas enviadas aos estados e munícipios, por meio de auditorias semestrais, com a finalidade de evitar o desvio de dinheiro e sucateamento desse meio. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde, a construção de mais hospitais e postos de saúde, por meio de recursos da União, a fim de desafogar os já existentes. Nesse caminhar, a série “Sob Pressão” não passará de uma ficção.