Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 26/12/2020

Na película nacional “Sob pressão”, é revelado o cotidiano de médicos e enfermeiros em um hospital da rede pública brasileira e seus desafios para atender uma grande demanda de pacientes com recursos e investimentos limitados. Fora da ficção, na conjuntura vigente do país, o impasse supracitado não diverge da realidade de muitos brasileiros que dependem do precário serviço público para realização de tratamentos e atendimentos médicos, tendo como única opção o Sistema Único de Saúde (SUS). Logo, torna-se evidente a necessidade da análise crítica de enfrentamento perante tal entrave.

Em primeiro lugar, segundo o IBGE, 71,5% da população tupiniquim tem o SUS como única forma de realizar intervenções médicas, uma vez que os planos privados são caros. Porém, no Brasil, segundo pesquisa do Ministério da Saúde, os investimentos nessa área são dez vezes menores em comparação com a média dos países mais ricos. Diante de tal exposto, nota-se que os dados são contrastantes, uma vez que há pouco capital sendo investido em relação ao requerimento nacional. Assim, os civis dependentes da organização governamental se encontram em precariedade.

Nessa perspectiva, é notória a ineficácia, por parte do Estado, na garantia do acesso à saúde universal, algo aclamado como direito dos cidadãos pela constituição de 1988. Além disso, segundo o IBGE, as regiões norte e nordeste detêm as menores proporções de cobertura do sistema de saúde no Brasil, o que acarreta na marginalização dessas zonas. Dessa forma, é violada a ideia do “Contrato Social” do filósofo contratualista John Locke, de modo que o governo não cumpre seu papel de assegurar o direito à saúde ao povo. À vista disso, faz-se necessária ação para promover melhoria do cenário.

Depreende-se, portanto, a importância do sistema público de saúde na manutenção da democracia no território nacional. A partir disso, é imperativo do Estado, em conjunto com o Ministério da Saúde, o investimento financeiro na área da rede pública, nesse caso no SUS, fornecendo material e inovações tecnológicas para qualificar o trabalho dos profissionais da saúde e salvar cada vez mais vidas. Ademais, o mesmo orgão governamental, em parceria com as redes sociais, deve promover a conscientização da massa civil, a partir de campanhas que disseminem a amplitude e importância que o sistema de saúde detém, a fim de divulgar e trazer notoriedade à discussão na sociedade, de maneira que a população cobre ações do governo perante tal impasse. Quiçá, desse modo, a nação brasileira tornar-se-á provida de real ordem e progresso.