Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 02/01/2021

De acordo com a Constituição Federal de 1988: “Todo cidadão tem direito à saúde”. No entanto, embora essa constituição tenha democratizado os direitos, antes renegados, verifica-se ainda, que o Brasil enfrenta sérios desafios na manutenção do acesso à saúde. Dessa forma, observa-se que tanto a má distribuição de médicos no país, como também a falta de recursos para saúde, dificultam na resolução da problemática, o que causa um colapso no âmbito sanitário e acarreta em altos índices de mortos entre a população mais carente.

Nesse interim, evidencia-se que a má destruição de médicos no país é um importante obstáculo a ser combatido para manutenção do acesso à saúde pública no Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 1,9% dos médicos que se formam optam por trabalharem em municípios do interior, como no Norte e 2,4% em cidades interioranas do Nordeste. Apesar do que diz na Constituição cidadã de 1988, esses dados revelam que a falta de médicos devido à dificuldade de interiorização prejudica a população mais pobre e a exclui de usufruir seu direito à saúde, já que a demanda de pessoas doentes é maior do que a oferta de médicos em cidades pequenas do país, o que ocasiona em grandes números de mortalidade e uma crise sanitária recorrente.

Ademais, é válido ressaltar que a falta de recursos para saúde também contribui para o enfrentamento na manutenção do acesso à saúde no país. Pelo olhar da Organização Mundial da Saúde (OMS), países como França e Reino Unido, onde a saúde não é um direito da população, o gasto é de 4 a 7 vezes menor que o Brasil, sendo que o índice de mortalidade é baixo nesses países da Europa. Por outro lado, países como Japão, grande potência tecnológica, há gasto com a saúde e os números de mortos também é baixo. Diante disso, pode-se analisar que no Brasil os problemas de gestão pública no Sistema Único de Saúde (SUS), acarreta em falta de leitos e atendimento médico nos hospitais, além do subfinanciamento desse sistema no aspecto sanitário do país, ocasionando na longa espera da população e falta de acesso público à saúde.

Logo, urge que os desafios na manutenção do acesso à saúde pública no Brasil sejam superados. Para isso, é necessário que o Estado, em conjunto com o Ministério da Saúde, crie programas de atendimento para o interior das regiões, com a ajuda de médicos, a fim de distribuir, de forma igualitária, a acessibilidade à saúde no país. Além disso, é preponderante também que o Ministério da Cidadania, em parceria com o Ministério da Educação, realize projetos de extensão nas universidades, por meio de alunos e professores, com o objetivo de incentivar, desde a formação, na participação de iniciação científica, para que o direito citado na Constituição de 1988 seja assegurado e expandido.