Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 06/01/2021

Valendo-se da premissa de que texto e contexto devem estar concatenados, o escritor modernista Carlos Drummond de Andrade representou, na figura do personagem José, a disforia de um indivíduo inserido em um panorama de abandono social. Hodiernamente, no Brasil, analisando-se a conjuntura do Sistema Único de Saúde(SUS), depreende-se que a situação daquele protagonista assemelha-se à realidade de grande fração da sociedade, já que, infelizmente, mesmo que tal modelo de gestão pública preconize pelo bem-estar geral da população, ele ainda não contempla a totalidade dessa de forma profícua. Assim, é inadiável avaliar os coeficientes que corroboram com esse prisma paradoxal.

Faz-se necessário ponderar, primordialmente, que a efetivação do SUS como modelo de promoção integral da saúde necessita de sua valorização. Sob essa perspectiva, são indubitáveis os desdobramentos positivos da implementação desse sistema no ano de 1988 até os dias atuais, visto que, desde o atendimento básico até o acompanhamento de doenças mais graves, o presente modelo pôde assegurar à grande parcela da população brasileira a assistência profissional necessária. Por conseguinte, a sociedade poderia ser comparada a um corpo biológico, o qual, consoante o sociólogo Émile Durkeim, aplica se aos sistemas sociais que possuem diversas partes que interagem entre si.            Paralelo a isso, convém destacar que a ampliação do SUS pela população também carece do melhoramento deste modelo em busca de alcançar a integridade do território de dimensões continentais. A esse respeito, merece atenção o conceito de Globalização perversa do geógrafo brasileiro Milton Santos, uma vez que, mesmo com as transformações advindas da Revolução Técnico-Científico-Informacional, grande parcela da população mundial ainda não foi beneficiada. Dessa forma, isso se reflete no Brasil nos casos em que o tecido social menos abastado não consegue acessar o atendimento hospitalar efetivo pela alta demanda do Sistema, fato que inibe tal direito constitucional.

.      Torna-se imprescindível, portanto, a efetivação de medidas que possam alavancar a eficiência do Sistema Único de Saúde no atual cenário brasileiro. Nesse âmbito, é de grande importância a atuação do Ministério da saúde, em parceria com o Ministério da Infraestrutura, na construção de hospitais em locais desassistidos por intermédio do arrecadamento financeiro com loterias, bem como com os Royalties do petróleo. Ademais, em parceria com a iniciativa privada, o Ministério da Saúde poderá suplantar a excessiva demanda das áreas urbanas servindo-se da maior capacitação e disponibilização de equipamentos, assim como de profissionais, voltados principalmente para o atendimento especializado. Dessa maneira, espera-se que, progressivamente, a situação de abandono do personagem´´ José `` distancie-se da realidade da população que necessita dos serviços do SUS.