Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 09/01/2021
O artigo 196 da Constituição Federal de 1988 diz que a saúde é um direito de todos os cidadãos e dever do Estado. Entretanto, ao observar a questão do debate sobre a saúde pública no Brasil, nota-se que esse direito é contestado. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência do governo e a alienação social colaboram para esse quadro.
Mormente, a inobservância governamental é o principal fator responsável para a permanência da problemática. Tal fato ocorre porque não há, por parte das autoridades, a preocupação em não só melhorar a infraestrutura dos hospitais, como também o sistema de atendimento, uma vez que, o Brasil apresenta um alto índice de pessoas em filas sem atenção médica. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra ‘‘Modernidade Líquida’’, algumas instituições -dentre elas o Estado- perderam a sua função social e configuram-se como ‘‘Instituições Zumbis’’, ao manter apenas a sua forma e encarregar a população a resolução de seus problemas. Nesse sentido, por consequência da ausência de políticas públicas com objetivo de investir na melhoria da infraestrutura hospitalar pública, muitos brasileiros não possuem acesso à saúde como é assegurado na Constituição Federal de 1988.
Outrossim, a alienação social é outro fator primordial para a temática. Essa situação ocorre porque a sociedade decide se calar diante de um problema que afeta determinado grupo. Assim, ao observar a questão do Sistema Público de Saúde (SUS), percebe-se que uma parcela da população brasileira questiona e pede pela sua privatização. Sendo assim, segundo o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, existe uma linha abissal que divide a humanidade da sub-humanidade, ou seja, o grupo dominante e o grupo dominado. Logo, percebe-se, consequentemente, como os cidadãos que não possuem condições financeiras para custear um plano de saúde privado, o grupo dominado, torna-se alvo dos brasileiros que se manifestam e condenam o SUS de forma constante e preconceituosa, principalmente, nas redes sociais.
Dessa maneira, medidas são necessárias para resolver o impasse. Portanto, o Governo Federal, como instância máxima da administração executiva, em parceria com o Ministério da Saúde, deve, por meio de uma política pública, investir na compra de aparelhos hospitalares, contratação de um número maior de médicos e funcionários, criação de mais hospitais, principalmente para as cidades pequenas, a fim de diminuir o grande número de pessoas nas filas e assegurar a saúde pública e de qualidade presente da Constituição Federal de 1988. Ademais, a mídia deve criar propagandas conscientizadoras nos grandes canais de comunicação e na internet sobre a importância dos SUS para a vida de muitos cidadãos. Assim, espera-se que os desafios sobre a saúde públicano Brasil não sejam um problema.