Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 09/01/2021
Rembrandt, na obra “A Lição de Anatomia do Dr. Tulp”, desvelou o empenho para se alcançar progressos anatômicos perante o desconhecimento e o arcaísmo operacional no século XVII. Contemporaneamente, no Brasil, embora os avanços medicinais tenham diluído as limitações de outrora, a promoção de saúde e prevenção não conta com a eficácia otimizada como fora esperado naquela época. Com efeito, o grave cenário de crise no SUS ergue-se no país como subproduto de graves questões governamentais e sociais.
Em uma primeira análise, faz-se essencial refletir a relação entre a má gestão governamental e o quadro de precarização do SUS. Essa correlação fundamenta-se no fisiologismo das agendas do Estado, o qual historicamente prioriza pautas voltadas ao grande capital e secundariza demandas de cunho social, como a aquisição de materiais hospitalares e a capacitação de profissionais da saúde especializados. Nesse sentido,tal quadro afronta as propostas de Loïc Wacquant, em “Prisões da Miséria”, as quais afirmam que a vida humana deve ser o eixo norteador das relações sociais e políticas, por ser ela quem as legitimam. Desse modo, a satisfação de interesses subjetivos do Poder Público faz com que este negligencie seu papel para com a vida de milhares de enfermos.
Ademais, a falta de acesso da sociedade a informações básicas de saúde dificulta o combate aos problemas medicinais. Esse fato decorre da naturalização de comportamentos danosos ao bem-estar por parte do corpo social, como a precariedade de hábitos de higiene, o que ocorre devido à escassez de cientificismo, e agrava a conjuntura de enfermidade na qual a população menos favorecida se encontra. Nesse contexto,o desconhecimento científico e a parca promoção de saúde materializam antagonicamente a premissa de Jean-Jacques Rousseau, na medida em que o filósofo refletiu que a tomada de consciência acerca da gravidade de um problema é o passo fundamental para sua superação. Dessa forma, a falta de informação aprofunda a crise do SUS, visto que permite o aumento de casos de doenças que poderiam ser evitadas com a incorporação de práticas saudáveis.
A ineficiência estatal e a desinformação da sociedade, portanto, consubstanciam o panorama de crise na saúde pública. Por conseguinte, o Ministério da Saúde deve ampliar seus investimentos nessa área, por meio do envio expressivo de verbas para o desenvolvimento infraestrutural dos hospitais e para a contratação de profissionais da saúde, de modo que a rede pública seja capaz de atender, em menos tempo, um maior número de pacientes, a fim de humanizar o tratamento e prevenção de doenças. Somente a partir dessa medida e do investimento em programas educacionais de medicina preventiva, construir-se-á uma rede de saúde mais preparada na nação.