Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 14/01/2021
A problemática na saúde (principalmente a pública) brasileira não é uma novidade. Há anos é possível notar o quanto a saúde pública enfrenta precariedades e coloca em prejuízo a vida e a saúde de milhares de brasileiros. Entretanto, em tempos de crise, foi possível observar o quanto a saúde pública é essencial e que, se financiada, pode ser um diferencial.
A Constituição Federal brasileira garante que saúde é um direito do cidadão e um dever do governo; este, oferece um Sistema Único de Saúde (SUS), gratuitamente para toda a população. Se trata de um enorme diferencial, já que a minoria dos países desenvolvidos utiliza-se de um sistema parecido. Todavia, o governo brasileiro não tem cumprido integralmente com seu dever e tem cada vez mais diminuído o financiamento em toda a saúde, seja ela de rede pública ou privada. Em 1990 o investimento na saúde beirava 70% da receita; em 2010, apenas 10,7% - menos que diversos países emergentes naquele mesmo ano. Outrossim, a população brasileira está em constante envelhecimento, o que demanda mais estrutura do SUS, para que haja um atendimento adequado.
Segundo o Dr. Braulio Luna, presidente da CREMESP (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), a precariedade no SUS, na maioria das vezes, se deve a baixa oferta de profissionais e isso porque a maioria dos médicos aprovados em concurso para trabalhar no município desistem, antes mesmo de entrar. De acordo com o Dr. Braulio, os municípios são responsáveis em manter a saúde de cada um deles, no entanto, não possuem recursos ou condições de financiar boa estrutura e muito menos, bons salários para os médicos. E os governos superiores (estadual e federal) se mostram indiferentes diante disso. A solução, muitas vezes, tem sido contratar médicos sem boa qualificação para atuar pelo município e receber um salário discrepante em relação ao do mercado; tamanha ignorância é responsável pela ineficiência do sistema, já que mais de 70% da população depende dele. Principalmente em tempos de crise, onde as pessoas perdem seus empregos e com eles, seus convênios, e contam com auxílio do SUS.
A única maneira possível de impulsionar e fornecer o apoio necessário à saúde e, mais ainda, ao Sistema Único de Saúde é a partir de maior investimento do governo federal, para que possa haver melhoria na estrutura geral dos pontos de atendimento a fim de que um sistema de saúde pública tão inovador como o brasileiro, possa funcionar de maneira exemplar. Afinal, a própria Constituição Civil indica que bons níveis na saúde, representam organização economica e social do país.