Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 14/01/2021

Sob a ótica do filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, “a violência é sempre uma derrota, seja qual for a maneira como ela se manifesta”. Com efeito, percebe-se que a desvalorização do Sistema Único de Saúde brasileiro remete à premissa de Sartre, uma vez que representa uma violência contra o direito constitucional de saúde. Nesse contexto, faz-se urgente avaliar a desvalorização da ciência e a exclusão social.

Nessa perspectiva, é válido postular que, de acordo com o censo realizado pela Secretaria do Tesouro Nacional, as despesas do governo com educação vêm registrando queda nos últimos anos. Como consequência, a oferta de programas de prestação de serviços à população pelas universidades federais, como os hospitais universitários e as clínicas psicoterapêuticas, por exemplo, é impossibilitada. Certamente, isso ocorre devido à insuficiência de capital disponível para custear as obras e a compra de materiais adequados para atender à sociedade. Dessa forma, percebe-se que a desvalorização científica reflete na questão da saúde pública, visto que a criação de programas sociais universitários não são estimulados, o que restringe o acesso do corpo social ao atendimento médico.

Por conseguinte, deve-se avaliar que, durante o período medieval, apenas os membros do clero e da nobreza possuíam acesso a tratamentos médicos, enquanto o resto da população vivia em condições insalubres e era constantemente exposto à doenças. Mais de cinco séculos após esse período, percebe-se que o cenário brasileiro apresenta as mesmas condições, tendo em vista que apenas os membros da elite possuem acesso à saúde privada, que apresenta uma qualidade superior à saúde pública. A população economicamente desfavorecida, entretanto, é submetida a um sistema de saúde precário, negligenciado pelo governo, superlotado e com um défcit de profissionais da saúde alarmante. Nota-se, dessa maneira, que o Sistema de Saúde Público do país deve ser valorizado para que toda a população usufrua de uma saúde de qualidade.

É mister, portanto, buscar soluções para esse impasse. Para tanto, urge que o Governo Federal, por meio de verbas governamentais, amplie o orçamento das universidades federais, com o fito de possibilitar a criação de programas sociais universitários voltados à área da saúde, sobretudo nas regiões periféricas. Ademais, ativistas políticos devem realizar mutirões em vias públicas e em redes sociais, por meio da mobilização popular pacífica, objetivando confrontar o descaso das autoridades para com o funcionamento pleno do SUS, que afeta a vida de milhares de indivíduos. Assim sendo, a derrota que a violência contra a saúde pública representa ao país, de acordo com a perspectiva de Sartre, será erradicada do Brasil.