Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 04/06/2021

Segundo a Constituição brasileira de 1988 -documento jurídico mais relevante do país-, é assegurado a todos os cidadãos o direito à saúde de qualidade, uma vez que é dever do Estado fornecer ferramentas para a prevenção, promoção e recuperação desse fator social. Todavia, a realidade do Brasil transparece ser falha no cumprimento dessa premissa, visto que a saúde pública se encontra fragilizada, insuficiente e caótica. Nesse contexto, fatores, como a precária infraestrutura e as suas consequências, devem ser analisados.

Sob tal ótica, é fulcral pontuar acerca da negligência governamental como catalisador da problemática. Nessa perspectiva, a carência de investimentos adequados na saúde pública dificulta drasticamente a assistência prestada à população. Análogo ao panorama, o filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman expõe a teoria da “Instituição Zumbi”, em que muitas instituições perderam sua função social no mundo hodierno. De fato, a maioria dos centros hospitalares não executam eficientemente seus objetivos, pois há falta de leitos, profissionais, demora no atendimento e carência de medicamentos. Nesse viés, depreende-se quão exíguo se encontra a saúde do país.                                       Ademais, é cabível pontuar sobre o impacto maléfico da omissão estatal no cenário social. Desse modo, nota-se uma significativa parcela populacional que realiza a automedicação como válvula de escape da frustação presente no precário atendimento hospitalar. Tal quadro deletério é confirmado pelo Conselho Nacional de Farmácia, pois, de acordo com pesquisa realizada em 2019, mais de 70% da população possui o hábito de se automedicar. Consequentemente, esse ato é dotado de inúmeros prejuízos, a exemplo de reações alérgicas, risco do aumento da resistência de bactérias ou óbito do envolvido. De certo, é indiscutível que, substancialmente, a mendicidade na saúde pública influencia os costumes medicamentosos do corpo civil.

Portanto, medidas são necessárias para atenuar a problemática sanitária brasileira. Em síntese, importa que o Ministério da Economia reavalie o investimento no setor de saúde, por meio de estudos precisos no tocante às reais carências dos hospitais e Unidades Básicas de Saúde dos país, usando dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde. Esse mapeamento permitirá analisar e atender as instituições de modo eficiente, com o aumento da disponibilidade de leitos, fármacos, EPI (Equipamento de Proteção Individual) e contratação de mais profissionais. Isso deve ser feito com a finalidade em prestar um atendimento de qualidade para todo e qualquer cidadão, além de minimizar os índices da automedicação. Por certo, a Constituição cumprirá sua função social para com a saúde pública e as “Instituições Zumbis” serão extintas do contexto brasileiro.