Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 25/06/2021

O sociólogo Zygmunt Bauman afirmou que algumas das principais instituições da era pós-moderna tornaram-se “zumbis”. Dentro dessa lógica, tais instituições perderam suas respectivas funções sociais devido à falta de verba governamental e reconhecimento da sociedade, e agora estão tentando se manter a qualquer custo. De maneira análoga, é possível observar que o Ministério da Saúde, responsável por garantir a manutenção da saúde pública, acaba por falhar perante as ações e políticas públicas no que tange sanar os desafios que assolam o Sistema Único de Saúde (SUS). Por isso, faz-se necessário entender as causas, bem como as consequências do sucateamento e dos desafios da saúde pública brasileira.

Primordialmente, é mister compreender que a negligência governamental no que se diz a manutenção do SUS é o fator crucial para a piora gradual da estrutura e prestação de serviços básicos de saúde pública. Segundo dados apresentados pelo Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, o Brasil tem o menor percentual de investimento público em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) dentre as nações emergentes. Dessa maneira, devido a falta de verba governamental, o SUS tornou-se um sistema extremamente prejudicado em sua infraestrutura, com falta de leitos, hospitais sucateados e ausência de médicos para atender o povo com qualidade.

Ademais, em razão dos baixos investimentos que acarretam na deterioração da estrutura do SUS, a sociedade passou a cada vez mais rebaixar e menosprezar a saúde pública. Com essa perda de credibilidade do sistema, a população viu os planos privados de saúde como metas de vida a fim de não depender mais de um serviço tão mutilado quanto o governamental. Nesse sentido, apesar de a saúde pública ser um direito garantido no Artigo 2º da Constituição Federal, a sociedade brasileira não defende mais a garantia deste, transformando o SUS em uma instituição “zumbi” tentando se manter ativa, como afirma Bauman.

Portanto, para superar os desafios enfrentados pela saúde pública, é imprescindível que o Ministério da Saúde, mediante o redirecionamento de verbas, realize uma pesquisa minuciosa nos hospitais públicos do Brasil, coletando dados sobre a estrutura e número de médicos e enfermeiros a fim de compreender as lacunas existentes e aplicar os investimentos de maneira equitária, equilibrando e melhorando a qualidade dos serviços. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação promover o diálogo entre as famílias e os alunos acerca da importância e da função do Sistema Único de Saúde para todo o corpo social brasileiro, formando cidadãos conscientes em relação aos seus direitos e que defendam a saúde pública.