Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 08/09/2022
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 196, assegura aos cidadãos o direito à saúde, assim como o acesso igualitário a esta. Todavia, a prática é distinta da teoria, uma vez que, mesmo diante da conquista de ter o Sistema Único de Saúde no Brasil, nota-se que há desafios que impedem a plena concretização desse benefício no país. Sendo assim, tais empecilhos são observados na negligência estatal e no desinteresse social de mudança dessa problemática.
Sob esse viés, vale ressaltar a precariedade existente no sistema público de saúde devido à falta de recurso estatal. Desse modo, John Locke afirma que é dever do Estado garantir os direitos da população. Entretanto, ao se fitar o atual cenário, percebe-se a vivência de uma contradição, já que os hospitais públicos encontram-se em péssimas condições, sem medicamentos básicos e com funcionários que trabalham sem receber um salário digno. Com isso, o cidadão fica exposto à fragilidade de um sistema deficitário e que compromete a sua qualidade de vida.
Além disso, outro vetor recai sobre a ausência de mobilização social de combate contra os entraves existentes. Dessa forma, Zygmunt Bauman afirma que a pós-modernidade é vigorosamente influenciada pelo individualismo, pois é incapaz de enxergar o próximo. Sendo assim, poucos consideram a opção de se manifestar em busca de uma melhoria que atinja a coletividade, se seus objetivos pessoais forem conquistados. Assim sendo, a população se conforma em apenas reclamar e não impulsionar ações ativas e práticas de mudanças e progresso.
Depreende-se, portanto, que o Ministério da Saúde, órgão responsável por promover políticas públicas de saúde, deve ampliar os investimentos no SUS, por meio de melhorias na infraestrutura dos hospitais, além de disponibilizar os medicamentos necessários para os pacientes e viabilizar melhores salários para os profissionais da área, a fim de que a população tenha acesso a um sistema de saúde público funcional. Paralelamente, a sociedade deve fomentar ações de manifestação, por intermédio de passeatas e campanhas virtuais que reivindiquem o direito às casas de saúde de qualidade, para que alcancem as mudanças necessárias para efetivação pena do benefício garantido na Constituição.