Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 31/10/2023

Em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor português José Saramago descreve uma sociedade fictícia na qual, gradualmente, as pessoas vão ficando cegas. Na trama, o autor usa dessa alegoria para criticar a falta de altruísmo no mundo contemporâneo, no qual os indivíduos se preocupam cada vez menos com o bem-estar coletivo. Ao analisar a atual conjuntura brasileira, percebe-se que a obra exemplifica a realidade vivenciada no país, uma vez que o sucateamento da saúde pública representa um problema que não recebe a devida atenção em território nacional. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência estatal e a educação precária impulsionam tal problemática, com o intuito de solucioná-la.

Segundo o geógrafo Milton Santos, em seu texto “As Cidadanias Mutiladas”, a cidadania atinge a plenitude de sua eficácia quando os direitos do corpo social, em sua totalidade, são democraticamente desfrutados. Todavia, no contexto contemporâneo, a inércia do Estado distancia a população de garantias constitucionalmente asseguradas, à medida que o sistema de saúde brasileiro se deteriora por falta de investimento. Dessa forma, enquanto a máquina pública negligencia suas responsabilidades, o problema perdura e os direitos dos cidadãos continuam a ser mutilados de forma sistemática.

Ressalta-se, ademais, que a educação débil no Brasil potencializa esse cenário. Nesse viés, segundo Nelson Mandela “A educação é a arma que pode mudar o mundo”. Diante de tal exposto, e com o estrutura educacional acompanhando a decadência do sistema de saúde, os profissionais formados estão cada vez mais despreparados e colaboram com o sistema infuncional. Em decorrência disso, a ausência de ações efetivas no que tange à reversão desse contexto, fragiliza, a cidadania plena no país. Dessa forma, é imprescindível combater a inconsistência da estrutura educacional profissionalizante, visto que é uma das causas fundamentais do problema.

Diante do exposto, denota-se a urgência de propostas governamentais que alterem esse quadro. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com os Governos dos estados, à criação de projetos públicos que visam redirecionar verbas Unidades, assegurando melhor infraestrutura e funcionalidade. Enxerga-se também necessidade de investimentos na formação de profissionais da saúde, a fim de potencializar o atendimento à população. Tais ações poderão democratizar o acesso à saúde no Brasil. Assim, à luz da perspectiva de Saramago, podera se mitigar a cegueira moral que permeia essa questão.