Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 30/10/2023
Na obra “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor José Saramago descreve uma cidade fictícia na qual, gradualmente, as pessoas vão ficando cegas. No enredo, o autor usa desta distopia para criticar a falta de altruísmo e cooperação no mundo atual, onde os indivíduos se preocupam cada vez menos com o bem-estar coletivo. Ao transpor a ficção e observar a atual conjuntura brasileira, percebe-se que a obra exemplifica a realidade vivenciada no país, uma vez que a saúde pública apresenta problemas que não recebem a devida atenção no território nacional. Neste contexto, deve-se pensar como a negligência estatal e a falta de saneamento básico impulsionam tal problemática, a fim de solucioná-la.
Diante desse cenário, nota-se a ineficácia governamental como fator agravante na falta de acesso à saúde pública no Brasil. De acordo com o geógrafo Milton Santos, em seu texto “As Cidadanias Mutiladas”, a cidadania atinge sua totalidade de sua eficácia quando os direitos do corpo social, em seu todo, são homogeneamente desfrutados. Todavia, no contexto hodierno, a passividade do estado distacia as pessoas sem condições monetárias dos direitos constitucionalmente garantidos, á medida que cada vez mais pessoas continuam a não ter acesso à saúde pública.
Ressalta-se, ademais, que a falta de saneamento básico no país potencializa esse cenário. Nesse viés, segundo G1 “no Brasil, 100 milhões de pessoas não têm rede de esgoto e falta água potável para 35 milhões.”, diante de tal exposto, é possível verificar que, ainda que não tenha o total acesso á saúde, nem todos possuem o saneamento básico, que por sua vez, causa maior índice de pessoas adoecidas. Em decorrência disso, mantém-se o quadro de ausência de ações sociais efetivas no que tange à reversão desse contexto, fragilizando, com isso a cidadania plena no país. Dessa forma, é imprescindível combater a falta de saneamento básico, visto que é uma das causas fundamentais do problema.
Portanto, é preciso que o ministério da saúde, por meio de projetos estruturais, que visem, a criação de mais portos de saúde e acabar com a necessidade de saneamento básico no país, afim de diminuir o número de pessoas doentes cotidianamente e abranger o atendimento médico para todos.