Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 30/10/2023

Manoel de Barros, grande poeta pós modernista, criou o intitulado “Teologia do Traste”, cuja principal característica reside em dar valor as situações esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, tal intitulado faz-se presente no Brasil, na medida em que a dificuldade do acesso ao sistema público de saúde cresce disparadamente no país, afetando a camada social brasileira e sendo uma problemática que constantemente é deixada de lado. Desse modo, cabe discutir como a falta de infraestrutura e a má distribuição regional auxiliam na permanência desse viés.

Precipuamente, é indubitável negar que os recursos estatais destinados à saúde pública brasileira são cada vez mais deficitários. Isso acontece porque, com a ascensão da camada política ligada a sistemas de redes particulares de hospitais e clínicas médicas, não é visto por estes a necessidade de uma elevação na saúde pública, automaticamente, desfavorecendo aqueles que só possuem o Sistema Único de Saúde (SUS), como meio para obtenção à saúde; sendo estes prejudicados e invisibilizados por não possuírem tais direitos essenciais para a sobrevivência. Nesse sentido, é lícito referenciar o livro “Leviatã” do filósofo inglês Thomas Hobbes, o qual afirmava a obrigação do Estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso igualitário social, o qual não é posto em prática.

Ademais, vale destacar que a má distribuição regional de profissionais da saúde pela pátria nacional, acarreta outro impasse deste panorama na corporação verde-amarela. Essa questões ocorre, pois o índice de médicos, enfermeiros e operantes da saúde cresce cada vez mais nas regiões desenvolvidas, corroborando para uma imensa discrepância nas regiões carentes e desprovidas do acesso humanitário ao SUS, o que contribui para o aumento da desigualdade, a alta taxa de mortalidade e as condições precárias de saúde. Este imbróglio é explicado pelo pensador brasileiro Ariano Suassuna, o qual divide o Brasil em dois países: o dos privilegiados e o dos despossuídos.