Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 30/06/2020

Em meio a pandemia do coronavírus, a população mundial foi submetida a imposição da quarentena, a fim de reduzir a propagação da doença. Diante de um maior tempo de convivência, a intolerância dos companheiros de mulheres intensificou-se. Tendo em vista a figura oprimida das mulheres quando comparada aos homens, e a falta de controle do que acontece no cenário domiciliar, a violência contra a mulher, em tempos de pandemia, agravou-se.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que a violência contra a mulher no Brasil é uma problemática presente anteriormente a quarentena. Segundo dados estatísticos apontados em pesquisa realizada em 2015, o país foi posicionado em 5º lugar no mundo dos quais apresentam maior quantidade de feminicídios. Isso se deve a desvalorização da figura feminina e ao pensamento retrógrado de que, os homens, são figuras superiores, portanto, estes se colocam na liberdade de realizar atos violentos contra as mulheres. Sendo assim, esta ideologia impregnada na sociedade, que normaliza a dominação dos homens, influência a violência doméstica.

Além disso, é inegável constatar os impactos gerados pela quarentena no aumento da violência contra as mulheres dentro dos domicílios. Devido ao decreto imposto no país de isolamento durante a pandemia, as mulheres são colocadas em risco, visto que passam mais tempo ao lado de possíveis agressores. Como apontado em pesquisa recentemente realizada, o Brasil teve o aumento de 22,2% de casos de feminicídio neste período. Diante da ideologia de superioridade masculina e a censura do que acontece dentro dos domicílios, as mulheres são submetidas a tais ato, e por estarem em isolamento, não possuem escapatória.

Portanto, a implementação de medidas é fundamental para reduzir os casos de violência doméstica contra a mulher, em meio a uma realidade propícia a intensificação dos casos. Visto que a violência doméstica é de difícil controle, locais públicos devem intensificar preceitos já existentes, como o projeto “Máscara Roxa” nas farmácias do Rio Grande do Sul, que auxiliam discretamente na denúncia contra a violência. Além disso, é fundamental que as figuras femininas colaborem no momento, por meio do incentivo a denúncia, diante de um cenário exclusivo e pessoal como o lar domiciliar. Sendo assim, tendo em vista a supremacia masculina e a dificuldade de controle neste ambiente, o incentivo à denúncia será fundamental na redução dos atos domésticos violentos contra as mulheres.