Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 26/06/2020

Segundo o filósofo Jean Paul Sartre, a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota. Com base nisso, é possível mencionar que toda vez que um ato violento se concretiza, é uma agressão não só à vítima, mas também indica uma falha em todo um estado desordenado. Portanto, é fundamental compreender como em 2020, no período de quarentena, esse debate se tornou uma pauta importante a ser compreendida, seja pelo aumento da violência doméstica, acentuada devido ao maior tempo em contato, ou pela impaciência e desconforto gerado pelo isolamento.

Em prelúdio, ao verificar-se que a experiência de estar com as mesmas pessoas praticamente o dia todo se constitui num desafio, é natural que atritos e brigas passem a ser mais constantes. Isto posto, é nítido o uso que ‘‘reality shows’’ como o ‘‘Big Brother Brasil’’ ou ‘‘A fazenda’’ fazem dessa problemática para construir um programa inteiro sobre isolamento social. Desse modo, apesar desse processo de intrigas frequentes ser esperado, ao inserir aqueles que são violentos, independentemente da ocasião, em quarentena, se abre um grande espaço para que brigas tornem-se brutalidade, e por muitas vezes ocultadas e ignoradas por pessoas que veem toda essa violência.

Paralelo a isso, a espera desconfortante da quarentena, em não poder realizar certos desejos, incapacitados pelas medidas preventivas, também corroboram para a tensão dentro dos lares. Visto isso, a música ‘‘Diário de um detento’’, do grupo ‘‘Racionais Mc’s’’, demonstra como uma pessoa privada de liberdade, segundo eles, ‘‘Não suportam o tédio, arruma quiaca’’, ou seja, arrumam problemas. Analogamente, a população inteira, atualmente, vivencia uma experiência como descrita na música, tornando toda a sociedade suscetível à violência e, consequentemente, aumentando os casos de agressão familiar.

Em suma, é papel do estado, por meio de organizações não governamentais e da igreja, fomentar ao grande público, utilizando-se de propagandas e da mídia, a denunciar casos de abuso de força nos lares. Assim, além dos praticantes desses atos poderem ser punidos, criar-se-á uma coletividade atenta a esses casos e disposta a combater esse mal que está em pauta. Por conseguinte, essa derrota, descrita por Sartre, poderá ser atenuada e enfrentada de forma mais eficiente, contribuindo para um adequado isolamento social em período pandêmico.