Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 26/06/2020

Na série brasileira, “Coisa mais linda”, a personagem Lígia sofre agressões físicas e verbais constantes por parte do marido e em seu próprio lar, os ataques resultam na morte de Lígia e na impunidade do companheiro. Similarmente, no Brasil, mulheres são agredidas todos os dias por seus parceiros dentro de suas casas, casos que aumentam durante a quarentena, no qual as vítimas ficam 24 horas juntas de seus agressores. Com o crescimento de ocorrências, é necessário que medidas urgentes sejam tomadas para a proteção dessas mulheres.

Primeiramente, segundo a filósofa feminista Simone de Beauvoir “Ninguém é mais arrogante em relação às mulheres, mais agressivo ou desdenhoso do que o homem que duvida de sua virilidade”. A educação patriarcal e sexista vigente no Brasil faz com que, meninos cresçam agressivos e queiram se mostrar superiores, em grande modo, atacando mulheres, tais quais julgam ser inferiores, como visto na produção brasileira. A sociedade ao ensinar homens que violência e agressividade são de naturalidade masculina, e às mulheres que devem sofrer em silêncio, auxiliam no aumento gradativo de casos de violência doméstica.

Ademais, é válido ressaltar que com a quarentena adquirida por conta de uma pandemia, os índices de violência doméstica foram agravados. Em consequência, medidas foram tomadas para ajudar as vítimas, principalmente no meio virtual, como a da empresa Magazine Luiza ao adicionar em seu aplicativo uma opção para denúncias, outrossim, sinais com as mãos para alertarem agressões por ligação ou até mesmo em farmácias, e novos canais de denúncia criados pelo governo federal.

Dessa forma, é inadmissível que um país signatário da DUDH que aborda a igualdade em dignidade e direitos, permita que números de violência doméstica cresçam cada vez mais. Cabe às cortes de justiça a ampliação de medidas mais severas para agressores, por meio de reformulações penais a fim de que, vitimas se sintam mais seguras em denunciar, e que casos não acabem como o mostrado em Coisa Mais Linda.