Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 09/07/2020
A série brasileira “Coisa mais linda”, produzida pela Netflix, exibe, ao longo do enredo, o relacionamento dos personagens Lígia e Augusto. A mulher sofre diversos abusos, principalmente, agressão física, a qual termina com um caso de feminicídio e a absolvição de Augusto no tribunal. O seriado propõe, com essa trama, um debate acerca da violência doméstica. Analogamente é possível observar o aumento desses casos durante a quarentena, de modo a notar-se uma sociedade machista e patriarcal, além da ineficácia de agentes públicos.
A priori, deve-se perceber os moldes de como a sociedade é construída, assim, é possível compreender o patriarcalismo e o machismo enraízado de cada localidade. No livro “O Segundo Sexo” de Simone de Beauvoir, a escritora explica como “ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, evidenciando como o gênero é uma construção social que cada cultura criou, colocando o masculino sempre acima do feminino.
Outro fator existente, é o mal funcionamento das leis já existentes para proteger a mulher. Casos os quais envolvem a lei Maria da Penha, normalmente demoram anos até serem julgados e não costumam trazer resultados efetivos. Além disso, a lei do feminicídio foi concebida muito recentemente no Brasil, apenas em 2015; evidenciando a dificuldade dessa população em perceber e aceitar a situação da mulher no país.
Em suma, faz-se mister a atuação do Estado para a resolução de tal problemática que se intensificou durante a quarentena. O poder Legislativo poderia aumentar a rigidez das leis pré-existentes, por meio do Judiciário e do Executivo. Paralelamente, o governo também deve valorizar programas que lutam pela mesma causa, por exemplo, a campanha do sinal vermelho e da Magazine Luiza, ambas de iniciativa privada. Tais medidas visam combater o aumento de casos de violência doméstica no isolamento social.