Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 27/06/2020

No contexto social vigente, o termo “Violência doméstica” pode ser definido como qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause qualquer dano físico ou psicológico. Dessa forma, é evidente a catástrofe social durante o processo de quarentena resultante de tal ponto, sendo que o filme “O homem invisível”, que retrata a história de Cecilia, uma mulher que se vê atormentada pelo antigo parceiro após anos de um relacionamento abusivo, demonstra o cenário cotidiano nacional. No entanto, observa-se que essa questão tem ocorrido por inoperância estatal, além de omissão social.

Em primeiro plano, deve-se analisar a negligência governamental como causador do problema. Desse modo, é exequível referir-se ao consenso mundial retinente às elevadas taxas de feminicídio no país, pois segundo dados do Instituto Maria da Penha, a Polícia Militar registrou um aumento de 44,9% no atendimento a mulheres vítimas de abuso desde o início do isolamento, fator que demonstra uma escassez de medidas viáveis para solucionar o imbróglio. Destarte, em virtude da governança não investir na fiscalização e monitoramento de locais suspeitos da prática de tais atos, principalmente nas regiões em que o caso tornou-se constante, partindo da análise de pesquisas oficiais sobre o ponto. Em decorrência disso, a população feminina tende a permanecer a mercê desse mal.

Paralelo a isso, é essencial aludir acerca do descaso social como outro imortalizador do emblema. Dessa maneira, é factível remeter ao que afirmava Jean-Paul Sartre, famoso filósofo francês,“A violência, seja  qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”. Contudo, hodiernamente, é notório o desvio de convicção da maioria do corpo social, o que os levam a enxergar a brutalidade doméstica como algo comum e de responsabilidade relativa do casal, não havendo a possibilidade de impedir a ação. Como consequência, gera-se o enaltecimento da adversidade.

Entende-se, portanto, que a continuidade da questão do aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena é fruto da inoperância estatal e da negligência da sociedade. Diante disso, o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Segurança, responsável por garantir a seguridade geral, deve criar um projeto de defesa as vítimas de violência doméstica durante o período de pandemia, por meio da localização e prisão do agressor no próprio domicílio, além de prestar os atendimentos de saúde básicos a padecente, tomando como base medidas adotadas em outros países, com o objetivo de impedir a disseminação de tal prática em um período que gera impunidade. Ademais, é indispensável que instituições de ensino, responsáveis por transmitir o saber, realizem lives sobre a importância de se manter atento a tamanhos casos, ensinando o que deve ser feito em relação a situação, mediante explicações de sociólogos, com a finalidade de acabar com o desmazelo.