Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 27/06/2020
Em Março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou pandêmica a contaminação pelo coronavírus, o que fez com que diversas regiões declarassem uma política de quarentena e isolamento social. Desde então, é perceptível o aumento dos casos de violência doméstica em todo o país devido à intensificação do convívio familiar, fato que tende a deixar sequelas psicológicas e físicas em todas as vítimas e familiares dessa situação.
Mormente, é evidente que o aumento do convívio tende a intensificar, também, conflitos e desentendimentos dentro do seio familiar, o que pode aprofundar as violências domésticas. Isso pode levar a sequelas psicológicas gravíssimas. De fato, o filósofo Arthur Schopenhauer acreditava que a vida era apenas dor e sofrimento. Nesse sentido, é possível afirmar que o pensamento desse existencialista sintetiza a realidade doméstica de diversas vítimas de violência familiar e seus parentes, uma vez que elas tem de viver com medo e receio de seu agressor todo o tempo. Assim, a agressividade doméstica pode ser causa de diversas sequelas psicológicas, como depressão e ansiedade - que têm sido consideradas as “doenças do século”.
Ademais, é válido afirmar que a recomendação de não procurar atendimento médico em decorrência da pandemia causada pela Covid-19 tende a aumentar o número de sequelas físicas derivadas da violência doméstica. Sobre isso, vale citar a obra Negrinha, escrita por Monteiro Lobato, em que uma criança, filha de escrava, é descrita como cheia de cicatrizes e machucados mal tratados devido ao comportamento agressivo de sua patroa para com ela. Logo, assim como na obra, a realidade de muitas vítimas de violência doméstica também é dessa maneira, o que é acentuado pela política do isolamento social e desmotivação da procura médica.
Portanto, é evidente que a intensificação do convívio doméstico tende a ampliar os casos de agressividade, o que pode deixar marcas em suas vítimas para sempre. Desse modo, o Estado brasileiro deve repreender a violência doméstica, por meio da popularização de campanhas de denúncia alternativas e do aumento punitivo para com os agressores, com o intuito de diminuir o número de casos e melhor proteger as pessoas que sofrem com essa circunstância. Além disso, o ministério da Saúde deve promover atendimento hospitalar aos casos de agressividade de origem doméstica, por intermédio de centros de atendimento popular e disponibilização de cursos de primeiros socorros online, com o objetivo de evitar a proliferação de cicatrizes e traumas físicos. Assim, será possível diminuir e melhor tratar os casos de violência doméstica em todo o território nacional.