Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 29/06/2020

Em Dezembro de 2019, uma nova estirpe do vírus Coronavírus, Sars-CoV-2, deu início a uma pandemia e, com essa, o mundo precisou adotar medidas de isolamento social. Nessa lógica, diversas famílias, em todo mundo, têm passado por períodos de convívio contínuo e forçado. No Brasil, entretanto, a impossibilidade de pleno contato social e os conflitos psicológicos, evidenciados pela crise de saúde global, são possíveis precursores do aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena. Nesse sentido, convém analisar essa problemática, com o intuito de frear a progressividade dessas violentas ocorrências.

Inicialmente, é importante verificar a relação entre a impossibilidade de pleno contato social e o aumento dos casos de violência doméstica no Brasil. Nesse contexto, segundo o jornal Estadão, cada vez mais mulheres denunciam violência em sua primeira ocorrência. Sob esse prisma, a partir do aumento significativo no convívio familiar contínuo, durante a quarentena, algumas famílias têm tido uma crescente incidência de tensão entre seus membros. Somando-se a isso, os casos de violência doméstica, de primeira ocorrência, antes evitados pela possibilidade de afastamento das partes envolvidas no conflito, fazem-se presentes e têm sido denunciados. Desse modo, é lamentável como, no Brasil, não há medidas para prevenir ou amenizar as tensões oriundas da quarentena.

Ao mesmo tempo, vale também ressaltar o principal impacto da violência doméstica como produto de conflitos psicológicos gerados pela quarentena. Nesse sentido, em matéria divulgada pelo jornal O Globo, o número de feminicídios teve aumento de 20% durante o período de isolamento social. Sob essa perspectiva, a mulher, em geral, a principal afetada pela violência doméstica, no decorrer da pandemia, não só corre risco de morte por COVID-19, mas também por agressões, oriundas dos conflitos psicológicos vivenciados por seus parceiros, dentro de suas próprias residências. Dessa forma, é absurdo como as mulheres, além de terem que lidar com suas próprias questões psicológicas trazidas pela pandemia, morram ao lidar com os problemas psíquicos de seus companheiros.

Nota-se, portanto, como a restrição de contato social e os conflitos psicológicos contribuem para o agravamento dos casos de violência doméstica durante a quarentena. Assim, cabe ao Governo Federal tomar medidas que reduzam a ocorrência desse crime. Isso pode ser feito por meio do incentivo à socialização virtual, ao produzir anúncios que explicitem a importância da socialização digital, e de apoio psicológico gratuito para todos, ao contratar psicólogos que atendam virtualmente para amenizar os conflitos psíquicos. Espera-se, dessa maneira, que as tensões sejam abrandadas, a agressividade controlada e os casos de violência doméstica, durante a pandemia do Sars-Cov-2, reduzidos.