Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 30/06/2020
Primordialmente, em sua distopia ficcional “O conto da Aia”, Margaret Atwood exemplifica uma sociedade em que as mulheres tornaram-se escravas do sexo masculino. Decerto, a realidade mundial compactua com o livro de Atwood, ao compasso que mulheres são objetificadas por uma cultura patriarcal opressora. Portanto, a violência doméstica praticada majoritariamente contra o sexo feminino define-se como uma consequência da cultura. Simultaneamente, as diversificada formas de combate a uma situação tão deplorável, foram dificultadas fortemente pelo caos hodierno trago pela Covid-19.
Em primeira análise, consoante Berenice Bento, a construção social é responsável pela inferiorização do sexo feminino. Desse modo, a base da sociedade limita e codifica o papel da mulher. Destaca-se que, a alienação coletiva para a submissão ao sexo masculino inicia-se ainda no berço, codificando mulheres para aceitarem como cotidiano, as diferentes formas de agressões, sobretudo no âmbito doméstico. Ademais, a situação de isolamento social imposta pela Covid-19, culminou no aumento da ansiedade coletiva, no uso excessivo de álcool e entorpecentes e consequentemente, no convívio agressor-vítima. Dessarte, a ocorrência da violência doméstica tem crescido a níveis absurdos, evidenciando a ausência de medidas de proteção a mulheres e a devida punição a seus agressores.
Em segunda análise, Aristóteles defendia que nenhum ser humano é obrigado a permanecer em um estágio que o oprima e que o mesmo, tem potência para a mudança conforme seus atos. Assim sendo, consoante o filosofo grego, a situação de violência doméstica mundana pode ser modificada mediante atuação coletiva. No entanto, as dificuldades enfrentadas por cidadãs agredidas para pedirem auxílio e visibilidade, ultrapassam o âmbito coletivo e tornam-se uma severa luta individual contra seus agressores. Seguramente, os locais de auxílio prestado as mulheres fechados para evitar o contágio, a ausência de meios ativos de combate e ajuda via internet e a constante presença do agressor, culminam para o aumento do medo e das incertezas das mulheres, o que as silenciam.
Em virtude de todos os fatos anteriormente listados, a ruptura com o quadro de violência doméstica, sobretudo na esfera da pandemia, é de urgência vital. Dessa forma, a união de Estados nacionais, ongs e a mídia global e a sociedade como todo, deve ocorrer objetivando o efetivo combate. Imediatamente, por ação dos órgãos citados, centros de ajuda devem ser postos em locais públicos e privados que estejam funcionando regularmente durante o isolamento, bem como, recursos de auxílio e visibilidade em aplicativos usados pela massa, visando sanar os casos e proteger as vítimas a curto prazo. Posteriormente, a revisão de leis que punam mais severamente agressores e a propagação de campanhas contra a violência doméstica, garantam efetivamente a segurança e a equidade coletiva.