Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 30/06/2020

Segundo o sociólogo Émille Durkheim, os Fatos Sociais são aqueles em que a sociedade influencia o indivíduo, de maneira sutil, à assumir um determinado comportamento e/ou pensamento. Como exemplo disso, observa-se o antigo ditado “briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”, que poderia facilmente cair em desuso, entretanto, é mantido de forma subliminar na sociedade contemporânea. Então, revela-se a importância do combate á violência doméstica por parte de diversos agentes sociais, no papel de localizar as causas e ajudar com as consequências.

Em primeiro plano, os protocolos utilizados durante a pandemia do Corona vírus, como a quarentena e o lockdown, têm o objetivo de evitar aglomerações em comércios e outras atividades. Com isso, o período de contato com a vítima e seu agressor torna-se prolongado, dando espaço para mais discussões e atos violentos. Prova disso, são os dados divulgados pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMDH), os quais apontam um aumento de 40% no número de denúncias realizadas esse ano, no mês de Abril, em relação ao mesmo período do ano passado. Sendo assim, para uma situação que já era bastante delicada, agora precisa de ainda mais atenção.

Em segundo plano, alguns órgãos da segurança pública divulgaram que os boletins de ocorrência contra  as agressões diminuíram, pois isolada da sociedade a vítima não tem a possibilidade de prestar queixa. Pensando nisso, empresas e organizações sociais civis estão encontrando maneiras de ir contra o Fato Social de não intervenção em casos de conflitos conjugais, para assistir as mulheres que encontram-se nessa situação, em contexto de quarentena. Por exemplo, algumas empresas resolveram “meter a colher” ao instalar um botão de emergência em seus aplicativos de compra, além disso, outras mulheres fizeram vídeos contendo informações sobre denúncia, disfarçados de tutorial de maquiagem.

Portanto, para recriar raízes saudáveis do posicionamento social a respeito da proteção de uma mulher que sofre abusos domésticos, é preciso da compreensão e ajuda de todos. Para isso, os órgãos de segurança pública devem agir de forma furtiva ao lidar com casos de denúncia de violência doméstica por meio de canais de atendimento disfarçados, por exemplo uma simulação de atendimento de “fast food” para receber a denúncia ou pedir socorro em situações emergenciais, uma vez que a vítima está em isolamento social, consequentemente em constante contato com o agressor. Ademais, o apoio civil também é de suma importância, então, vizinhos, amigos e parentes próximos devem atentar-se aos indícios de possíveis agressões e ajudar a vítima a contornar tal problemática.