Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 02/07/2020

Para a maioria das pessoas, ficar em casa nesse período de quarentena é sinônimo de proteção. Mas para muitas mulheres, além de enfrentar o medo de contaminação pelo vírus, se veem obrigadas a permanecer trancadas com seus agressores, 24 horas por dia. A violência doméstica, mascarada em muitos lares, tona-se em meio a pandemia, mais visível.

De acordo com o levantamento apresentado pelo Ministério da Saúde, a cada quatro minutos uma mulher é vítima de agressão no Brasil, sendo o 5º país em feminicídeo do mundo. O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de  Janeiro, aponta um aumento de 50% na demanda de casos de violência contra a mulher desde o início da recomendação de isolamento social no estado, em março.

Todavia, há muitos casos de violência que não são notificados, pois, a vítima se encontra no mesmo ambiente do agressor, sendo vigiada. Além disso, grande parte das vítimas não sabem que vivem uma violência doméstica, muitas vezes por achar que se resume apenas à agressão física, não sabendo que a mesma se estende à violência psicológica, sexual, patrimonial e moral.

É de suma importância evidenciar que, o atual momento gerou uma série de incertezas e ansiedade, somadas à crise financeira e desemprego, propiciando o aumento do consumo de álcool e drogas ilícitas, proporcionando comportamentos violentos e intensificando os casos subnotificados e risco de aumento do feminicídeo.

Diante do exposto, a fim de cessar os casos de violência doméstica intensificada pelo confinamento em virtude da pandemia, tornou-se imprescindível aos Estados agirem de maneira mais incisiva e rápida na questão, em defesa dos direitos humanos da mulher, resultando na promulgação dessas significativas leis. E esse deve ser o exemplo seguido pelos demais Entes Federativos neste momento da sociedade como um todo, evitando-se maiores danos daqueles já causados pela pandemia.