Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 01/07/2020
A violência doméstica não se configura apenas em agressão física,mas outros tipos de agressão, como psicológica, sexual,patrimonial e moral, é hediondo e inadmissível que em tempos hodiernos,a violência doméstica ainda faça vítimas. Entretanto, a violência em casa se faz presente no cotidiano de milhares de pessoas, em maioria mulheres,crianças e idosos. Todavia, análogo ao isolamento social devido a pandemia,o segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o número de casos de violência doméstica teve um aumento de quase 50% nos principais estados, entre os principais agravantes desse problema estão, a impunidade, a dificuldade na denuncia ,o excesso de convívio familiar e a intensificação de problemas internos,como ansiedade, TOC e agressividade e agravante a isso o aumento do consumo de álcool.
A priori, deve-se ter entendimento de que, muitos casos de violência são subnotificados, muitas vítimas tem medo,vergonha e incerteza acerca do futuro. Paralelo a isso, o isolamento social dificultou os meios de denúncia da vítima, principalmente devido a banalização da violência devido sua recorrencial e do excesso do convívio familiar , em que em grande parcela dos casos o agressor faz parte. De acordo com neuropsicóloga Roselene Espírito, “Se por um lado nos afastamos voluntariamente do convívio social, por outro nos expomos a um excesso de convívio familiar. Que em alguns, despertou o sentimento de confinamento, de exclusão, exacerbando a agressividade, que antes era liberada, de forma criativa nas relações e programas sociais”.
É evidente que a mudança de rotina, consequente da pandemia, serviu de agravante para hábitos e problemas internos. Diante a isso crises de ansiedade, agressividade e outras crises se tornaram mais assíduas e muitos recorreram ao consumo nocivo de álcool como forma de alivia-las. Diversos estudos relacionaram o álcool como principal gatilho da violência doméstica, dado que a substância pode propiciar impulsos agressivos e a perda de controle sobre o comportamento.
Logo, o poder público, deve criar mecanismos seguros de denúncia direta e imediata, reforçar a atenção às vítimas e fiscalizar a venda excessiva de álcool,através de verbas governamentais, além de convocar assembleias em que seja instituídas maiores penas para crimes de violência. A fim de que as vitimas façam suas denúncias sabendo que terão proteção e resultado. Quiçá assim, os índices de violência se tornem cada vez menores.