Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 01/07/2020
De acordo com o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), todos os seres humanos nascem livres e igual em dignidade e direitos. No entanto, ao observar as crescentes taxas de casos de violência doméstica durante a quarentena, constata-se que os direitos básicos nem sempre são respeitados. A violência doméstica, embora seja eticamente injustificável, ocorre por diversos fatores e pode suscitar transtornos psicológicos às vítimas e, em casos mais drásticos, pode ocasionar feminicídios, o que torna necessária a adoção de ações que visem erradicar e controlar a situação.
Precipuamente, é importante ressaltar que a grande impulsionadora da problemática é a herança cultural machista, que sempre objetificou a figura feminina como um ser inferior e submisso - na Grécia Antiga, o único direito que as mulheres podiam usufruir era o de procriar. Dessa forma, apesar da constante evolução social, determinados homens ainda detêm pensamentos e atitudes violentos com as companheiras, seja por autoafirmação ou para punir um comportamento que o desagrada.
Ademais, a quarentena, ocasionada pelo vírus da COVID-19, intensificou o convívio familiar, as mulheres saem menos de casa (ficam mais vulneráveis), aumentando a tensão. Nesse contexto, o fórum Brasileiro de Segurança Publica divulgou um aumento de mais de 40% no crime de violência doméstica e feminicídios denunciados, não contabilizados os casos em que a mulher, ciente da impunidade, deixa de denunciar.
Não obstante, a indústria cinematográfica propaga, indiretamente, a romantização de relacionamentos abusivos, como no filme polonês “365 dias”, cujo protagonista, um sequestrador, tenta fazer com que sua vitima se apaixone por ele, mesmo sendo um criminoso e possessivo. Com isso, muitas mulheres, inconscientemente, idealizam relacionamentos em que são inferiorizadas e agredidas.
Em suma, é nítida a necessidade da adoção de medidas a fim de atenuar as taxas de violência doméstica. Portanto, urge que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos promova a criação de propagandas, exibidas na televisão, apresentando canais de denúncia e apoio às vitimas; o mesmo órgão deve implementar palestras escolares aos jovens, homens e mulheres, ministradas por psicólogos, instruindo como deve ser um relacionamento saudável e igualitário, visando construir uma sociedade consciente e informada. Somente assim todos os seres humanos terão equidade e liberdade, conforme rege a DUDH.