Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 01/07/2020
O período entre os séculos XIX e XX, ficou marcado pelo recrutamento de movimentos feministas, o qual ganharia voz e representatividade, em uma sociedade patriarcal. Nesse viés, tal sistema foi responsável pela exaltação da figura masculina, atribuindo a ela superioridade e poder para reprimir e agredir o sexo oposto. Sob essa perspectiva, em tempos de isolamento social, as tensões são intensificadas, uma vez que o convívio torna-se mais ativo. Assim, o uso excessivo do álcool, somado a falta de rotina, além das tribulações em denunciar o agressor, provocam a crescente nos índices de violência doméstica.
A priori, segundo o site Catraca Livre, o IMP (Instituto Maria da Penha), dissertou acerca das agressões domiciliares durante a quarentena, que aumentaram 50% no Brasil. Ademais, tal fato está estritamente relacionado ao acréscimo no consumo alcoólico, na qual o indivíduo que o realiza em abundância perde o controle sobre suas ações de modo facilitado. Nesse sentido, a quebra de liberdade e rotina individual, devido a quarentena, colabora de forma assídua para a crescente de tais índices, mesmo que não justifique as ações. Ademais, as pressões sociais e a ansiedade tornam-se gatilhos para atos hostis e inaceitáveis socialmente.
Outrossim, conforme Sylvia Walby, socióloga britânica, o patriarcado seria um instrumento de dominação do homem e subordinação feminina. Desse modo, a figura masculina torna-se superior e opressora dificultando também as formas de denúncia, principalmente em exílio coletivo. Todavia, o medo de realizar a acusação também mostra-se uma barreira, visto que a vulnerabilidade financeira e social, amedronta a figura feminina. Além disso, segundo o site Folha Uol, cerca de 52% das mulheres que sofrem violência domiciliar, não denunciam, já que ocorrem falhas judiciais relacionadas a punição dos indivíduos e a proteção da vítima, que resultam muitas vezes no feminicídio.
Em suma, a quarentena é um canal de grande tribulação emocional, que acarreta aumento na agressão física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Com isso, é dever das redes de conveniência, lojas de bebidas alcoólicas em geral, junto a sociedade, estabelecer uma venda e consumo mais moderado, por meio de limites de compras, com o objetivo de diminuir as pressões, que acarretam nesse malefício. Bem como, cabe as mídias sociais- meios de comunicação-, junto ao Ministério de Segurança, estimular a denúncia, proteger as vítimas e efetivar as acusações, por meio de propagandas e uma justiça mais coesa, a fim de aumentar a criminalização desse ato. Assim, de modo gradativo os índices de violência doméstica irão abrandar.