Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 03/07/2020
A sociedade patriarcal na qual o Brasil foi constituído sempre perpetuou o sentimento de que a mulher é uma posse do homem, o feminicídio e a violência doméstica são frutos dessa cultura machista que todos os anos mata, humilha e adoece mulheres, no mundo. E como disse a ex-presidente Dilma Rousseff em seu discurso de posse, em 2010. ‘A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um princípio essencial da democracia’.
Em primeira análise, vale salientar que grande parte da violência contra as mulheres vem do ambiente parental. Com base nos números do Ministério da Saúde, a violência doméstica e familiar é principal causa de letalidade entre as mulheres do Brasil. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública, mais de 30% das mulheres assassinadas em São Paulo foram mortas pelo marido. Isso mostra que o Brasil mantém o machismo estrutural, trazendo a mulher como posse, e não como um ser humano igual.
Ademais, com o convívio social mais próximo - devido a pandemia de Coronavírus - as agressões tornaram-se mais comuns e mais difíceis de serem denunciadas, pois a vítima está em constante contato com seu agressor. Dessa forma a vítima sofre calada, e nas palavras da ex-secretária executiva da Secretaria de Políticas para Mulheres, Lourdes Bandeira. ‘Ser mulher no Brasil equivale a viver num estado de guerra civil permanente’.
Dado o exposto, é mister que haja políticas públicas para mitigar a problemática. Cabe ao Ministério da Educação, junto ao Ministério da Justiça, a criação de campanhas de conscientização sobre o machismo estrutural e a violência doméstica. Por meio de comerciais nos meios de comunicação e redes sociais, instruir os homens sobre o pensamento machista e fazer com que diminua a cultura de que a mulher é um objeto e não um ser humano semelhante. Somente assim, o artigo 5°da declaração dos direitos humanos será válido para todos.