Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 01/07/2020

Segundo uma pesquisa realizada pelo Forúm Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o número de ocorrências contra a mulher aumentou significativamente em seis estados em comparação ao mesmo período em 2019. Só no Estado de São Paulo, houve um aumento de 44,9% no total de atendimentos prestados e 46,2% nos casos de feminicídios. Dados preocupantes visto que, ainda há uma enorme quantidade de casos sem conhecimento das autoridades. Fatores como a dependência financeira, o isolamento social e a insuficiência no suporte familiar contribuem com essas subnotificações.

Primordialmente, é importante ressaltar que em grande parte dos casos de violência doméstica, o agressor impede a vítima de trabalhar e ter sua própria fonte de renda, dificultando que a mulher deixe o lar onde sofre a agressão podendo ela ser física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, ocasionando assim a dependência financeira.

Segundamente, o isolamento social imposto pela pandemia contribui com esse aumento, uma vez que, esse confinamento faz com que o agressor passe mais tempo com a vítima e muitas não conseguem fazer a denúncia e não podem contar com o apoio dos familiares e amigos que muitas das vezes têm conhecimento sobre o caso mas não interferem e não encorajam as vítimas à realizar a denúncia e buscar apoio, principalmente com profissionais que ajudem à superar esse trauma.

Portanto, existem medidas que devem ser tomadas com urgência. Cabe a mídia, desfrutar da sua alta visibilidade anunciando campanhas que orientem e essas mulheres sobre como estão funcionando os serviços de atendimento à mulher e estimulem os estabelecimentos tais como mercadinhos, farmácias e panificadoras dos bairros à apoiar a campanha “Sinal Vermelho” onde a vítima utiliza uma caneta ou batom vermelho para sinalizar um “X” na palma da mão, para que o atendente do local acione a polícia. Somente assim, haverá mais suporte para essas vítimas e aconteça a diminuição dos casos de violência doméstica.