Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 01/07/2020

Devido à crise gerada pela pandemia do coronavírus e à recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), a população precisa passar pela quarentena domiciliar. Porém, infelizmente, essa medida trouxe um aumento nos casos de violência doméstica. Nesse sentido, destacam-se dois fatores determinantes para esse aumento: a coexistência forçada e a instabilidade econômica.

Primeiramente, a coexistência forçada, imposta pelo necessário isolamento social, coloca as mulheres em posição de vigilância integral por  parte de seus agressores, o que as impedem de buscar ajuda. Tal atitude amplia a margem de ação para a manipulação psicológica, por exemplo. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (Sesp), os casos de violência doméstica aumentaram 8,5% só no primeiro trimestre de 2020, no estado do Paraná. Portanto, a intensa divulgação dos canais de denúncia é de suma importância para que esses números não aumentem.

Além disso, outro grave problema, também gerado pela pandemia, é a instabilidade econômica. Muitas pessoas ficaram desempregadas, o que contribuiu, certamente, para o aumento do estresse dentro de casa. Desse modo, a perspectiva de perda do poder masculino fere diretamente a figura de macho provedor - já que a mulher passa a assumir o papel de provedora da família - servindo de gatilho para comportamentos violentos. Isto posto, é fundamental que a ação de denunciar seja sempre estimulada, mesmo que em tempos de quarentena.

Assim sendo, para que os casos de violência doméstica sejam reduzidos (não somente durante a quarentena), é importante que diversas medidas sejam tomadas. Por exemplo, o aumento das equipes nas linhas diretas de prevenção à violência e também a capacitação dos profissionais da saúde para identificar situações de risco. Logo, por mais difícil que seja a extinção do problema, com uma parceria entre governo e sociedade, pode-se chegar a um índice de repressão significativo.