Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 02/07/2020

Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde decretou pandemia mundial por conta do novo coronavírus, COVID-19. Com isso, Governantes de diversos países, para conter o alastramento do vírus, determinaram que fossem tomadas medidas de distanciamento social. Algumas capitais chegaram ao extremo de decretarem “lockdown”, tipo de  confinamento total imposto.  Infelizmente, essas medidas de proteção à saúde coletiva tornaram mais mulheres sujeitas à violência doméstica. Problema relacionado a dois principais fatores: machismo estrutural e aumento da dependência econômica feminina.

De início, vale ressaltar que, ao longo do tempo, o Brasil vem se destacando como um país inseguro para as mulheres. Segundo a Forbes, o país é o segundo mais perigoso para mulheres. Para o sociólogo Jessé Souza, o machismo brasileiro é oriundo das relações de poder coloniais, nas quais as mulheres eram tidas como posse paterna ou marital. Assim, com a reclusão, a agressão doméstica torna-se mais recorrente, pois vítima e agressor passam mais tempo sob o mesmo teto.

Além disso, a pandemia agravou a combalida situação econômica do país. De acordo com o IBGE, as mulheres foram as mais afetadas pelo desemprego causado pela retração financeira, com uma taxa 40% superior a dos homens. Dessarte, as agredidas tornam-se menos propensas a denúncias, já que não possuem autonomia financeira. Isso constitui um incentivo aos abusadores, já que contam com  impotência causada pela debilidade econômica.

Portanto, para que essa problemática seja minorada faz-se mister a melhora da situação econômica da mulher durante a pandemia. Para tanto, o Governo Federal, deve, por meio de lei, instituir programa de auxílio emergencial especial às vítimas de violência doméstica. Por exemplo, garantir um salário mínimo às mulheres agredidas que denunciam. Dessa forma, os efeitos das crises econômica e viral serão menos catastróficos para essa parcela da sociedade mais vulnerável.