Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 08/07/2020
No livro “A cor púrpura”, escrito por Alice Walker, é narrada a história de Celie, mulher que sofreu abusos do pai desde a infância e, posteriormente, maus tratos do marido. No entanto, fora da ficção com a atual pandemia e necessidade da quarentena, a história do livro parece se repetir no contexto brasileiro, uma vez que o isolamento social potencializa a convivência com o agressor. Nessa perspectiva, é válido averiguar como a negligência do Poder Público e indiferença populacional interfere diretamente no imbróglio.
Em primeiro plano, cabe avaliar a omissão estatal como fator corroborante da problemática. Segundo o filósofo francês Michel Foucault, existem uma série de micropoderes os quais são exercidos cotidianamente e influenciam na construção social. Diante disso, infere-se que o Estado mostra-se displicente quanto a efetivação legislativa, a qual visa proteger as vítimas da violência doméstica. Assim, as dificuldades para denúncia dos casos tornam-se ainda maiores, haja vista o despreparo de exercê-la a distância no mesmo ambiente do abusador.
Ademais, é indispensável salientar a passividade da população como catalisador do empecilho. De acordo com a crítica envolvida na obra de José Saramago, “Ensaio sobre a cegueira”, estar e ser cego para valores básicos de ética e solidariedade seria a condição natural do ser humano contemporâneo. Nesse sentido, depreende-se a falta de informação coletiva como alicerce na insuficiente rede de apoio às vítimas. Dessa forma, sem que a sociedade civil se predisponha ao auxílio necessário para realização de denúncias, o número de casos será majorado.
Portanto, indubitavelmente, é preciso que os casos de violência doméstica durante a quarentena sejam sanados no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Defesa, como viabilizador das políticas ligadas à segurança no país, junto à mídia, atuar em prol da criação de novos meios de prestar denúncia, por intermédio de propagandas elucidativas e melhor habilidade das ouvidorias. Tudo isso deve ocorrer com o fito de garantir a seguridade das vítimas, além do cumprimento das leis já existentes. Dessa maneira, ter-se-á uma realidade diferente daquela narrada em “A cor púrpura”.