Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 03/07/2020
O conceito de entropia, da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das Ciências da Natureza, no que concerne ao aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos presente na questão. Nesse contexto, torna-se evidente como causas a falta de debate, bem como a injustiça.
Em primeiro plano, o filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, nota-se uma lacuna no que se refere ao debate em torno da acentuação do número de ocorrências de casos de violência doméstica durante a quarentena, que tem sido silenciado. Logo, em uma sociedade históricamente machista e patriarcal, não debater sobre o tema só contribui para que essas práticas torpes continuem se repetindo ao longo dos anos, trazendo danos físicos e psicológicos à inúmeras vítimas.
Além disso, cabe ressaltar que a injustiça é um forte empecilho para a resolução do problema. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King de que “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar” encaixa-se perfeitamente. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), depois que foi implantada a quarentena, o estado de São Paulo registrou um aumento de quase 45% no atendimento à mulheres vítimas de violência doméstica, um número perigosamente alarmante. Desse modo, tem-se como consequência a generalização da injustiça e a prevalência do sentimento de insegurança coletiva.
É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Para isso, é necessário que o Ministério da Justiça e o Ministério da Saúde, juntos, realizem duplamente ações de punição e de atendimento psicológico aos agressores e às vítimas. Enquanto este se daria em postos de saúde por meio de acompanhamento de um profissional especializado em tratamento pós-trauma, aquele aconteceria por meio da agilização dos processos já abertos, a fim de garantir que o cenário de impunidade e injustiça seja modificado. Assim, o caos entrópico contido na problemática poderá ser mitigado.