Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 04/07/2020

Segundo as ideologias do momento Iluminista, do século XVIII, uma sociedade só progride quando um indivíduo se preocupa com o problema do outro. No que concerne, o aumento de casos de violência doméstica durante a quarentena, esse debate não é explícito ou difundido na sociedade brasileira. Isso ocorre tanto pelo baixo incentivo midiático, como também por falta de engajamento social para discutir e encorajar a resolução do problema.

Impende ressaltar, primeiramente, que os meios de comunicação atuam como direcionadores dos pensamentos sociais. Nesse viés, o sociólogo Pierre Bourdieu afirma que “aquilo que foi construído para se tornar instrumento da democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica”. Assim, depreende-se que a exibição midiática influencia no comportamento popular. Com isso, no período em que as famílias se encontram em quarentena - em casa e com mais tempo juntos - o que assistem reflete em suas atitudes de convívio. Logo, no tocante da violência doméstica, veículos de mídias podem ser mediadores de solução e incentivadores de denúncias dessa opressão vivida por muitas mulheres.

Outrossim, é importante enfatizar que, as ações coletivas são bases de mudanças sociais. De acordo com o psicanalista Christian Dunker, na pós-modernidade, as sociedades se cercam em zonas de conforto, distantes de conflitos e em constante afastamento do próximo. Por conseguinte, imersos neste panorama de anestesia moral, os indivíduos deixam de discutir e de se preocupar com os assuntos alheios, o que reflete em não ajudar ou conversar sobre agressões contra a mulher. Assim, a falta de empatia advinda deste processo, somando a reclusão da pandemia, contribuem para a falta de debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica.

Em síntese, é fulcral associar a exposição e a discussão como caminhos que irão mitigar a problemática. Além disso, cabe a mídia criar campanhas com o tema e exibi-lo por meio de filmes e séries, a fim de influenciar a reflexão e ampliação do debate. Ademais, a sociedade engajada, com apoio de membros de movimentos feministas, deve criar “lives” e interações através da internet para gerar um espaço de confiança e de fala sobre o aumento da violência doméstica na quarentena. Sob essa perspectiva, será possível vivenciar as mudanças históricas Iluministas, na prática e não apenas na teoria.